Marcos Lamacchia vence leilão pela SAF do Vasco com proposta de R$ 500 milhões em aportes entre 2026 e 2030.
O empresário Marcos Lamacchia, enteado de Leila Pereira, presidente do Palmeiras, venceu nesta sexta-feira (25) o leilão pela Sociedade Anônima do Futebol (SAF) do Vasco, realizado na 4ª Vara Empresarial do Rio de Janeiro. A proposta foi apresentada por meio da empresa Almirante Participações e foi a única recebida pela Justiça carioca.
Pela proposta apresentada, estão previstos aportes de R$ 500 milhões no clube entre 2026 e 2030. O valor será dividido em cinco parcelas de R$ 100 milhões.
A negociação, no entanto, ainda precisa passar por outras etapas antes de ser concluída. O negócio deverá ser submetido à aprovação do Conselho Deliberativo do Vasco e também de uma Assembleia Geral Extraordinária formada pelos sócios do clube.
Além dessas aprovações, segue em andamento uma investigação sobre um possível conflito de interesses na venda da SAF vascaína para Lamacchia. A apuração considera a relação familiar do empresário com Leila Pereira, dirigente do Palmeiras.
O procedimento foi aberto no fim de agosto pela Anserf (Agência Nacional de Regulação e Sustentabilidade do Futebol), criada pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) no início deste ano para aplicar as regras de fair play financeiro no futebol brasileiro.
Durante o processo, a Anserf também determinou que o Vasco não mantenha relações comerciais com o Palmeiras, incluindo negociações de jogadores, nem com a Crefisa. A empresa é patrocinadora do clube paulista e controlada por José Roberto Lamacchia, marido de Leila Pereira e pai de Marcos Lamacchia.
A relação entre Vasco e Crefisa já havia envolvido uma operação financeira. Em outubro de 2025, o clube carioca contratou um empréstimo de R$ 80 milhões junto à empresa para cumprir compromissos, entre eles pagamentos de salários e fornecedores.
Na ocasião, o Vasco estava em processo de recuperação judicial, iniciado no começo de 2025. Como garantia pelo empréstimo, o clube ofereceu 20% das ações da SAF. Posteriormente, essa participação foi reduzida para 10%.
A SAF do Vasco foi aprovada pelo clube em 2022 e vendida naquele mesmo ano ao grupo de investidores 777 Partners. No ano seguinte, porém, o conglomerado passou a enfrentar problemas financeiros, incluindo atrasos nos repasses previstos ao clube.
A situação levou ao afastamento da 777 Partners da operação. Desde então, a direção vascaína, liderada pelo presidente Pedrinho, buscava um novo comprador para a SAF.
Segundo a Anserf, a investigação identificou "indícios de que a operação e os arranjos a ela associados poderiam configurar influência cruzada entre clubes que disputam a mesma competição."
A agência também destacou a importância das regras relacionadas à multipropriedade e à influência cruzada entre clubes. Para a Anserf, situações desse tipo precisam ser verificadas antes de serem consolidadas para preservar a confiança nas competições.
"A vedação à multipropriedade e à influência cruzada é uma das regras que sustentam a confiança nas competições: quando dois clubes que se enfrentam podem responder, direta ou indiretamente, à mesma vontade, o resultado em campo deixa de ser a única coisa que importa. Verificar essas situações antes que se consolidem custa menos, para todos, do que desfazê-las depois", afirmou a agência.
Por: Informativo em Foco



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