Mais de 100 pessoas afirmam ter sofrido lesões cerebrais de diferentes gravidades após andar na X2, uma montanha-russa do parque Six Flags Magic Mountain, localizado no sul da Califórnia, nos Estados Unidos. As alegações envolvem passageiros que utilizaram a atração nos últimos dois anos.
Os novos relatos foram apresentados nesta terça-feira (22), depois que advogados anunciaram três processos contra a empresa. As denúncias surgem após uma investigação da CNN, publicada no mês passado, relacionar a montanha-russa a ferimentos graves e mortes.
Durante uma coletiva de imprensa, o advogado Christopher Bulone criticou a permanência da atração em funcionamento diante dos riscos alegados.
Segundo os representantes dos passageiros, eles também receberam relatos de centenas de outras pessoas que afirmam ter sofrido problemas após andar no brinquedo.
A CNN informou, entretanto, que não conseguiu verificar de forma independente as novas alegações.
Advogados anunciam novos processos contra o parque
Dois dos processos apresentados na segunda-feira (21) detalham casos de passageiros que já haviam sido mencionados pela CNN.
Os documentos alegam que dirigentes da Six Flags tinham conhecimento dos supostos riscos da atração e não deveriam ter permitido que ela continuasse funcionando.
Entre os casos está o de Naomi Greer-Wilkinson, de 26 anos. Segundo as informações apresentadas, ela perdeu a consciência após sair da montanha-russa e precisou passar por uma cirurgia cerebral de emergência devido a uma lesão cerebral traumática grave.
Naomi permanece em coma, enquanto seus pais mantêm a esperança de que ela acorde.
Outro caso é o de Pamela Guillen, de 40 anos, que também perdeu a consciência depois de andar na X2 e foi submetida a uma cirurgia cerebral de emergência.
Um e-mail analisado pela CNN aponta que os cirurgiões atribuíram os ferimentos de Guillen a um evento traumático de rápida aceleração e desaceleração durante a utilização da atração.
A mulher relatou anteriormente que precisou reaprender a falar e andar. Ela afirma que continua enfrentando fortes dores de cabeça, névoa cerebral e precisa tomar medicamentos para prevenir convulsões.
Advogado afirma que sofreu sangramento cerebral
Um terceiro processo, apresentado na segunda-feira, envolve o advogado de Los Angeles Michael Wilk.
Ele alegou ter sofrido um grave sangramento cerebral após andar na X2 em fevereiro. Segundo o processo, os ferimentos exigiram múltiplas cirurgias.
Em entrevista à CNN, Wilk afirmou que ficou incapacitado e passou a enfrentar dores de cabeça intensas, perda de memória e dificuldades cognitivas.
O advogado também declarou que não consegue mais exercer a profissão.
Ele disse que decidiu tornar o caso público na expectativa de que mudanças sejam implementadas.
O que diz a Six Flags
A Six Flags se recusou a comentar as novas alegações, argumentando que não se manifesta sobre processos judiciais em andamento.
A empresa também havia evitado responder às perguntas detalhadas da CNN sobre os casos. A informação compartilhada pelo parque foi a de que a montanha-russa permanecia fechada naquele momento.
Em processos anteriores, advogados da Six Flags defenderam a atração e argumentaram que uma placa alerta os visitantes sobre os riscos inerentes à participação em brinquedos e atrações de parques de diversões.
A empresa também afirmou que a X2 passa por testes regulares e que as forças físicas experimentadas pelos passageiros não seriam suficientes para provocar uma lesão cerebral traumática em uma pessoa considerada normal que utilize a atração conforme as instruções.
Investigação aponta relatos de ferimentos graves e mortes
A investigação da CNN documentou mais de uma dúzia de relatos de ferimentos graves e hospitalizações associados à montanha-russa, incluindo pelo menos duas mortes.
Nesta semana, o advogado Timothy Loranger, que representou a família de Christopher Hawley, de 22 anos, também informou que novos clientes procuraram seu escritório por danos supostamente relacionados à atração.
Hawley morreu após sofrer uma lesão cerebral traumática depois de andar na X2, há quatro anos.
Entre os novos casos relatados pelos advogados estão situações que variam de concussões graves a sangramentos cerebrais.
Os representantes também mencionaram a família de um jovem que, segundo eles, morreu após andar na montanha-russa no fim de 2025. Caso a relação seja confirmada, ele seria a vítima mais recente entre pelo menos três mortes supostamente ligadas à atração.
Como funciona a montanha-russa X2
A X2 é uma das principais atrações do Six Flags Magic Mountain e chama a atenção por sua tecnologia de quarta dimensão.
Os assentos giram 360 graus ao redor dos trilhos enquanto os trens atingem velocidades próximas de 130 km/h. A experiência dura aproximadamente dois minutos e inclui quedas acentuadas e movimentos considerados imprevisíveis.
A atração recebe visitantes de diferentes partes do mundo.
Montanha-russa foi fechada em julho
Apesar dos alertas feitos ao longo dos anos por visitantes, advogados e especialistas médicos sobre os supostos riscos, a X2 continuou funcionando até julho deste ano.
Segundo um porta-voz, o parque fechou a montanha-russa na noite de 12 de julho, quase um dia depois do acidente mais recente mencionado na investigação.
Os responsáveis pelo parque não explicaram o que motivou a decisão.
A Divisão de Saúde e Segurança Ocupacional da Califórnia, responsável pela supervisão das operações de brinquedos em parques de diversões, não respondeu ao pedido de comentário da CNN sobre as novas alegações.
Anteriormente, a agência também não havia respondido às perguntas sobre o histórico de lesões cerebrais supostamente relacionadas à X2 nem explicado como considerou seguro permitir a reabertura da atração após incidentes anteriores.
A agência informou apenas que uma inspeção continua em andamento.
Advogados questionam comunicação dos incidentes
O advogado Gary Dordick, que também representa mais de 100 novos clientes, afirmou que muitos passageiros disseram ter comunicado seus ferimentos à Six Flags.
Segundo ele, ainda não está claro quantos desses casos foram posteriormente informados às autoridades estaduais.
As alegações apresentadas pelos advogados e os relatos reunidos pela CNN colocam em discussão os procedimentos de segurança da atração e a resposta do parque aos incidentes relatados.
A investigação e os processos judiciais deverão esclarecer os fatos e as responsabilidades relacionadas aos casos.
Por: Informativo em Foco





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