Tecnologia do Blogger.
10.9.26

Bets alcançam mais de 25% dos alunos do ensino médio

Pesquisa aponta que 27,3% dos estudantes do ensino médio já apostaram online, apesar da proibição para menores de 18 anos.

Mais de um quarto dos estudantes do ensino médio no Brasil afirma já ter feito apostas esportivas online, apesar da proibição de jogos de azar para menores de 18 anos. Uma pesquisa divulgada nesta quarta-feira (9) aponta que 27,3% dos alunos dessa etapa de ensino já apostaram, enquanto a prática começa, em geral, aos 11 anos e cresce conforme a idade.

O levantamento foi realizado pela Frente Parlamentar Mista de Educação em parceria com o Equidade.info. Foram entrevistados 1.912 estudantes de 191 escolas de educação básica de todo o país. A pesquisa possui nível de confiança de 95% e margem de erro de 2,4 pontos percentuais para mais ou para menos.

Apostas aumentam conforme a idade

Entre os alunos dos anos finais do ensino fundamental, que correspondem ao 6º ao 9º ano, 16,2% afirmaram já ter apostado. No ensino médio, o percentual sobe para 27,3%.

A pesquisa também mostra uma relação entre idade e exposição às apostas. Entre estudantes de 11 anos, 9,5% disseram já ter jogado. O índice chega a 32,3% aos 17 anos e alcança 40,1% entre aqueles com 18 anos ou mais.

Os meninos apresentam percentuais maiores que as meninas. Nos anos finais do ensino fundamental, os índices são de 19% entre os meninos e 13% entre as meninas. No ensino médio, a diferença chega a 41% contra 12%.

Apostas aparecem em escolas públicas e privadas

A proporção de estudantes que fazem apostas esportivas é praticamente igual entre escolas públicas e privadas, segundo o levantamento.

A diferença aparece quando os alunos relatam os resultados financeiros obtidos nas plataformas. Nas escolas públicas, 7,4% afirmam ter ganhado mais do que perdido. Já nas instituições privadas, 9,5% relatam ter perdido mais do que ganharam.

Entre os estudantes cujas mães possuem até o ensino fundamental, 22,7% já apostaram. O percentual é de 19,6% entre aqueles cujas mães concluíram o ensino médio ou técnico e chega a 22,8% quando elas possuem ensino superior.

O estudo destaca ainda que os estudantes considerados mais vulneráveis são aqueles que vivem em domicílios com mais bens, mas estão matriculados em escolas públicas e têm pais sem ensino superior.

Quatro em cada dez não sabem se ganharam ou perderam

Outro dado apontado pela pesquisa é que quatro em cada dez estudantes que já fizeram apostas online não conseguem dizer se ganharam ou perderam mais dinheiro nas plataformas.

O levantamento também indica que a presença da educação financeira no currículo não tem sido suficiente para reduzir a exposição dos estudantes às bets.

Para a presidente da Frente Parlamentar Mista de Educação, deputada Tabata Amaral (PSB/SP), a situação pode trazer consequências para os jovens.

"Estamos falando de uma prática que pode comprometer a saúde financeira e o desenvolvimento de uma geração inteira", afirmou.

Pesquisador questiona acesso às plataformas

O professor e pesquisador da Universidade de Stanford Guilherme Lichand, responsável pela supervisão da pesquisa, afirmou que os números levantados provocam preocupação e levantam outras questões.

Entre os pontos citados pelo pesquisador estão a possível concentração das apostas em eventos esportivos, especialmente futebol, a forma como crianças e adolescentes descobrem as plataformas e os mecanismos utilizados para contornar as restrições de idade.

A Frente Parlamentar Mista da Educação mantém parceria com o Equidade.info desde 2024. A iniciativa realiza levantamentos sobre temas relacionados à educação e mantém um canal de escuta de estudantes e educadores.

ECA Digital prevê mecanismos de controle de idade

A exposição de crianças e adolescentes às apostas esportivas também é abordada pelo ECA Digital, que entrou em vigor em março. A norma determina que plataformas criem mecanismos confiáveis para verificar a idade de usuários que tentam acessar produtos e serviços proibidos por lei, incluindo bebidas alcoólicas, cigarros, bets e conteúdo pornográfico.

Pelas regras, as empresas não podem se limitar a perguntar ao usuário se ele possui 18 anos.

Os dados da pesquisa sugerem que crianças e adolescentes conseguem acessar plataformas ilegais, que não adotam os mesmos controles e não seguem a legislação e a fiscalização, ou que podem contar com a anuência de responsáveis.

Associação das bets legalizadas contesta acesso de menores

Em nota, a Associação Nacional de Jogos e Loterias (ANJL) afirmou que menores de idade não têm acesso às plataformas legalizadas e autorizadas pelo Ministério da Fazenda.

A entidade declarou que os casos apontados pela pesquisa envolveriam adolescentes que tiveram acesso a sites clandestinos. Segundo a associação, essas plataformas não possuem mecanismos capazes de impedir o acesso de pessoas com menos de 18 anos.

A ANJL também reiterou o compromisso das bets legalizadas com a legislação e defendeu o combate às plataformas ilegais, apontadas pela entidade como responsáveis por viabilizar apostas feitas por crianças e adolescentes.

Por: Informativo em Foco

  • Comentar com o Gmail
  • Comentar com o Facebook

0 commentarios:

Postar um comentário

Item Reviewed: Bets alcançam mais de 25% dos alunos do ensino médio Rating: 5 Reviewed By: Informativo em Foco