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28.8.26

Uefa prepara ação criminal contra presidente da Fifa

  Uefa prepara possível ação criminal contra Gianni Infantino por plano abandonado de vender participações em competições da Fifa a investidores.

A Uefa prepara uma possível ação criminal contra Gianni Infantino, presidente da Fifa, por causa do plano, posteriormente abandonado, de vender participações em competições da entidade para investidores privados.

Documentos obtidos pela BBC Sport mostram que a entidade que administra o futebol europeu apresentou um pedido judicial para ter acesso a provas e documentos que poderiam ser utilizados em um eventual processo na Suíça contra Infantino.

No documento, a Uefa acusa o dirigente de “gestão criminosa” e afirma que também avalia apresentar medidas contra outros dirigentes da Fifa.

A BBC Sport informou que procurou Infantino e a Fifa para obter posicionamentos sobre as acusações.

Plano previa criação de nova empresa

Pouco depois da Copa do Mundo deste ano, Infantino teria apresentado a proposta de criação da Fifa Forward Enterprise (FFE).

A empresa teria como objetivo vender participações nas competições da Fifa a investidores privados, incluindo os direitos comerciais relacionados às Copas do Mundo masculina e feminina e ao Mundial de Clubes.

O projeto provocou forte reação negativa e acabou sendo abandonado.

Segundo a Uefa, Infantino teria desenvolvido a proposta com o objetivo de beneficiar a si próprio e um grupo restrito de investidores.

A entidade europeia afirma que o processo de aprovação dentro da Fifa ocorreu de maneira acelerada e sem que diversos dirigentes e funcionários tivessem conhecimento prévio do projeto.

Uefa questiona valor dos ativos da Fifa

No pedido judicial, a Uefa também questiona a avaliação financeira das participações que seriam vendidas.

Segundo a entidade, não houve uma verificação independente do valor dos ativos e o preço proposto estaria abaixo do que considera adequado.

A Uefa afirma que os investidores poderiam adquirir uma participação financeira permanente na área comercial da Fifa por US$ 4,2 bilhões, o que, segundo seus cálculos, representaria um valor empresarial de aproximadamente US$ 20 bilhões.

A entidade europeia argumenta que esse valor não teria sido estabelecido por meio de um processo aberto e competitivo nem submetido à avaliação de um especialista independente.

Uefa busca documentos em tribunal da Flórida

Para reunir elementos que poderão ser utilizados em uma eventual ação penal na Suíça, a Uefa recorreu a um tribunal na Flórida, nos Estados Unidos.

O objetivo é obter acesso a arquivos mantidos por duas empresas ligadas à Fifa: Fifa Americas e FWC2026. As duas companhias estão sediadas no estado americano.

De acordo com o documento, as informações poderiam ser utilizadas posteriormente para fundamentar acusações criminais na Suíça.

A Uefa afirma que suas 55 associações-membro poderiam ter sido prejudicadas caso o projeto fosse concretizado.

Uefa avalia processar outros dirigentes

Além de Infantino, a entidade europeia afirma que poderá apresentar acusações contra outros dirigentes e assessores da Fifa.

No documento judicial, a Uefa afirma que está se preparando para apresentar denúncias criminais na Suíça por suposta gestão criminosa.

A entidade sustenta ainda que a estruturação, avaliação, financiamento e comercialização do projeto teriam causado prejuízos à reputação, à governança e às relações comerciais da Fifa e de seus 211 membros.

As acusações apresentadas pela Uefa, entretanto, ainda não representam uma condenação criminal de Infantino.

Entidade critica concentração de poder na Fifa

A Uefa também afirma existir um histórico de corrupção envolvendo dirigentes da Fifa e critica o que considera uma concentração excessiva de poder na entidade que administra o futebol mundial.

Segundo o documento, a organização teria recuado de projetos controversos principalmente quando sofreu pressão externa.

A Uefa afirma ainda que advogados suíços consultados consideraram juridicamente possível a apresentação de uma denúncia criminal contra Infantino e, eventualmente, outros dirigentes.

Plano previa pagamento de US$ 40 milhões às associações

Como parte da tentativa de viabilizar a Fifa Forward Enterprise, Infantino teria oferecido US$ 40 milhões, mais de R$ 200 milhões, às 211 associações-membro da Fifa caso apoiassem a proposta de investimento privado nas competições.

O projeto provocou uma forte reação entre as confederações e associações nacionais.

A Uefa afirmou ter perdido a confiança no presidente da Fifa, enquanto seus membros chegaram a apoiar um possível boicote às Copas do Mundo caso o projeto não fosse abandonado.

Infantino busca quarto mandato na Fifa

A crise ocorre enquanto Gianni Infantino busca um quarto mandato como presidente da Fifa, com eleição prevista para março.

O dirigente foi acusado pela Uefa, pela Concacaf e pela Confederação Asiática de Futebol de ter quebrado a confiança das entidades por meio de “engano”, em uma carta aberta.

As associações de futebol das nações britânicas também retiraram o apoio a Infantino.

Apesar da pressão, o presidente da Fifa mantém o respaldo da Conmebol, entidade que administra o futebol sul-americano, e da Caf, responsável pelo futebol africano. Algumas associações nacionais também romperam com suas respectivas confederações para declarar apoio ao dirigente.

Por: Informativo em Foco

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