Donald Trump anuncia nova ofensiva econômica contra o Irã e ameaça países e entidades que ajudarem Teerã a contornar sanções.
O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou nesta quarta-feira (19) uma nova ofensiva econômica contra o Irã e classificou a medida como a “operação econômica mais devastadora” já realizada contra qualquer país. Em publicação na Truth Social, Trump também ameaçou impor consequências econômicas a países que permitirem que instituições financeiras, empresas, aeroportos ou entidades governamentais ofereçam apoio ao governo iraniano.
Trump mira mecanismos usados pelo Irã
Segundo Trump, a ofensiva tem como objetivo interromper mecanismos utilizados por Teerã para contornar as sanções e manter a circulação de recursos.
Entre as atividades citadas pelo presidente norte-americano estão o contrabando de petróleo, operações de câmbio, transferências de dinheiro em espécie, casas de câmbio, registros de navios e empresas de fachada.
Trump exigiu que essas operações “parem AGORA” e afirmou que os Estados Unidos acompanharão de perto países e entidades que continuarem permitindo essas atividades.
O presidente apresentou a medida como uma nova etapa da pressão norte-americana sobre o governo iraniano. Segundo ele, as Forças Armadas do Irã foram fortemente enfraquecidas após os confrontos recentes, enquanto a economia do país estaria próxima do colapso.
Trump classificou a iniciativa como um “DIA D econômico” e pediu que aliados dos Estados Unidos participem do isolamento do Irã. O presidente também voltou a afirmar que seu governo não permitirá que Teerã obtenha uma arma nuclear.
Trump admite possibilidade de novas negociações
Antes do anúncio da ofensiva econômica, Trump afirmou que Estados Unidos e Irã poderiam, “talvez em algum momento”, retomar as negociações para tentar encerrar a guerra.
O presidente também avaliou positivamente a situação no Estreito de Ormuz e declarou que muitos petroleiros estão conseguindo atravessar a passagem sem problemas.
A declaração ocorreu após o fim do cessar-fogo bilateral firmado em junho, cujo prazo terminou na segunda-feira (17).
Na terça-feira (18), porém, Trump havia declarado que nenhuma negociação ou discussão estava ocorrendo naquele momento nem estava programada com o Irã.
Segundo uma fonte norte-americana ouvida pela agência France-Presse, as negociações foram suspensas e Trump orientou sua equipe a não retomar o diálogo enquanto Teerã não se aproximar das posições defendidas por Washington.
Conflito mantém tensão no Estreito de Ormuz
Após o ataque de Estados Unidos e Israel contra o Irã em 28 de fevereiro, Teerã respondeu com ataques contra países vizinhos aliados de Washington e bloqueou o Estreito de Ormuz, uma das principais rotas mundiais para o transporte de petróleo e outros produtos energéticos.
Em resposta, os Estados Unidos impuseram um bloqueio aos portos iranianos.
Embora as hostilidades tenham diminuído recentemente, a tensão permanece elevada no sexto mês de conflito, enquanto as tentativas de negociação diplomática continuam travadas.
Irã condiciona reabertura do estreito
O governo iraniano tem dado poucos sinais de que pretende atender às exigências dos Estados Unidos.
O principal negociador do país, Mohammad Bagher Ghalibaf, afirmou que o Estreito de Ormuz não será reaberto enquanto Washington não cumprir os compromissos previstos no protocolo assinado entre os dois países em junho.
O documento estabelecia uma trégua de 60 dias e previa negociações para alcançar uma solução mais duradoura para o conflito. O entendimento perdeu efeito após a retomada das hostilidades em julho.
Ghalibaf visitou Bagdá nesta quarta-feira e também denunciou a “ingerência estrangeira” em um momento de pressão dos Estados Unidos sobre o Iraque para desarmar grupos armados apoiados por Teerã. O negociador iraniano defendeu ainda um “reforço regional”.
Paralelamente, Irã e Omã, países que fazem fronteira com o Estreito de Ormuz, discutem há várias semanas como poderá funcionar a futura gestão da passagem marítima.
O Irã, que tem atacado embarcações que tentam atravessar o estreito sem autorização, pretende cobrar taxas de navegação pelos serviços oferecidos aos navios em trânsito. A proposta é rejeitada pelos Estados Unidos e por outros países da região.



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