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5.8.26

Pobreza volta a crescer na Argentina e Milei defende ajuste econômico

 Estimativa aponta aumento da pobreza na Argentina no primeiro trimestre de 2026. Javier Milei admite cenário difícil, mas defende política econômica.

Cerca de 600 mil argentinos passaram a viver abaixo da linha da pobreza nos primeiros três meses de 2026, segundo estimativa publicada pelo jornal La Nación. Os cálculos indicam que o índice de pobreza subiu de 29,9% no fim de 2025 para 30,7% no primeiro trimestre deste ano.

Questionado sobre o aumento do indicador, o presidente Javier Milei reconheceu a gravidade da situação social, mas afirmou que a alta não compromete a estratégia econômica adotada pelo governo.

“O panorama é horrível, mas a tendência geral continua excelente”, declarou na terça-feira (4).

Milei compara cenário ao início do mandato

Ao comentar os números, Milei afirmou que prefere comparar o cenário atual aos primeiros meses de sua gestão. Segundo o presidente, a pobreza chegou a aproximadamente 57% no início do mandato e, desde então, caiu para cerca de 30%.

“Não somos a Suíça. O panorama geral ainda é terrível, mas a tendência continua excelente. Eu vejo a tendência: a economia está crescendo, a pobreza está diminuindo e a inflação está caindo”, afirmou.

A estimativa de 30,7% foi elaborada com base nos microdados da Pesquisa Permanente de Domicílios, produzida pelo Instituto Nacional de Estatística e Censos (Indec). O resultado oficial consolidado ainda não havia sido divulgado.

Governo defende redução dos gastos públicos

Milei voltou a defender a política de ajuste fiscal adotada desde o início do governo, baseada na redução das despesas públicas, corte de subsídios, desregulamentação da economia e controle da emissão de moeda.

O presidente reconheceu que os salários do funcionalismo perderam poder de compra, mas classificou esse movimento como parte da estratégia econômica.

“Os salários do setor público estão caindo, mas esse é um resultado desejado do modelo. Significa que o Estado arcará com o ajuste. É a motosserra”, declarou.

Apesar disso, afirmou que pretende melhorar a remuneração dos profissionais mais qualificados do serviço público para valorizar essas carreiras.

Inflação desacelera, mas consumo segue pressionado

A política econômica contribuiu para reduzir o ritmo da inflação, mas a recuperação ainda não alcançou todos os setores da economia.

A perda do poder de compra continua afetando o consumo das famílias, refletindo no desempenho do comércio varejista e da indústria voltada ao mercado interno.

Em contrapartida, segmentos ligados às exportações apresentam resultados mais favoráveis.

Petróleo, mineração e agricultura impulsionam crescimento

Entre os setores que sustentam a recuperação econômica estão a agricultura e as atividades de petróleo, gás e mineração.

A formação de Vaca Muerta, uma das maiores reservas de petróleo e gás não convencional do mundo, segue como um dos principais motores da expansão energética argentina. A produção de lítio também ganhou destaque diante do aumento da demanda internacional pelo mineral.

Enquanto isso, empresas dependentes do consumo doméstico ainda enfrentam dificuldades para ampliar as vendas e retomar o ritmo de produção.

Economia amplia disputa política entre Argentina e Brasil

Os indicadores econômicos argentinos também passaram a integrar o debate político entre os governos de Javier Milei e do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Após Milei participar do lançamento da candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro e fazer críticas ao governo brasileiro, o ministro da Fazenda, Dario Durigan, rebateu as declarações e afirmou que a economia brasileira apresenta desempenho superior, citando indicadores como inflação, desemprego, risco-país e comércio exterior.

Mesmo diante da nova alta da pobreza, Milei mantém o discurso de que os impactos sociais do ajuste fazem parte de um processo necessário para reorganizar a economia argentina.

Por: Informativo em Foco

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