PF identificou comunicações reiteradas entre Weverton Rocha e Humberto Martins durante investigação de homicídio em São Luís.
A Polícia Federal apontou a existência de comunicações reiteradas entre o senador Weverton Rocha (PDT-MA) e o ministro do Superior Tribunal de Justiça (STJ) Humberto Martins entre janeiro de 2023 e outubro de 2025. Segundo a PF, os contatos ocorreram enquanto Martins relatava uma investigação relacionada ao homicídio do empresário João Bosco Sobrinho, em São Luís.
A suspeita da Polícia Federal é de que o senador tenha tentado interferir no inquérito, que apura se o assassinato está relacionado a uma suposta cobrança de propina por Daniel Brandão, atual presidente do Tribunal de Contas do Estado do Maranhão (TCE-MA) e sobrinho do governador Carlos Brandão (MDB).
O caso está atualmente sob responsabilidade do ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), devido às suspeitas envolvendo Weverton. A existência das comunicações foi mencionada em uma decisão de Dino sobre a investigação, tornada pública nesta sexta-feira (14).
Weverton Rocha não se manifestou quando procurado. Humberto Martins, que não é investigado formalmente, também foi procurado e não se posicionou.
As comunicações foram identificadas a partir da análise do celular do senador, apreendido no ano passado durante a operação que investiga suspeitas de desvios relacionados ao Instituto Nacional do Seguro Social (INSS). Flávio Dino solicitou ao ministro André Mendonça, relator daquele caso, o compartilhamento dos dados com a investigação sobre o Maranhão.
Segundo a Polícia Federal, os dados do aparelho revelaram “a existência de comunicações diretas com o ministro do STJ Humberto Martins, mantidas de forma reiterada entre 25.jan.2023 e 04.out.2025”.
De acordo com a PF, os contatos ocorreram por diferentes canais, incluindo mensagens de texto, áudios, ligações telefônicas e compartilhamento de mídias. A análise apontou ainda diálogos relacionados a encontros pessoais e processos que estavam sob relatoria de Martins.
A Polícia Federal afirmou inicialmente ter identificado uma relação de proximidade pessoal entre os dois, que, segundo o órgão, ultrapassaria uma interação exclusivamente formal ou institucional.
A PF também apontou que o senador fazia pedidos ao ministro relacionados a ações sob sua relatoria. O órgão registrou ainda um encontro pessoal entre os dois no gabinete do magistrado em agosto do ano passado.
Um dos episódios destacados ocorreu em 2 de junho do ano passado. Na ocasião, Weverton e Martins trocaram mensagens e tiveram uma ligação de aproximadamente cinco minutos. Depois, o senador enviou um áudio mencionando problemas de conexão.
“Meu irmão, caiu aqui porque é ruim mesmo a internet no Maranhão”, afirmou Weverton.
Na mesma data, Humberto Martins determinou a transferência de Gilbson Cesar Soares Cutrim Júnior, condenado como executor do assassinato em São Luís, do presídio de Pedrinhas, na capital maranhense, para Brasília.
O assassinato de João Bosco Sobrinho ocorreu em 2022. Antes de o caso chegar ao STF, Gilbson Cutrim havia sido considerado executor do crime pela Justiça do Maranhão e condenado a 13 anos de prisão.
A investigação que tramitava no STJ buscava apurar se o assassinato estava ligado a uma suposta cobrança de propina por Daniel Brandão. Em novembro de 2025, diante das suspeitas relacionadas a Weverton Rocha, o caso foi encaminhado ao Supremo Tribunal Federal.
A investigação também apura se o assassinato poderia ter relação com suspeitas de desvios envolvendo emendas parlamentares e contratos firmados no Maranhão.
O caso passou a ocupar espaço nas discussões da corrida pré-eleitoral pelo Governo do Maranhão e provocou trocas de acusações entre grupos ligados a Flávio Dino, dissidentes desses núcleos e opositores.
Carlos Brandão e Daniel Brandão foram procurados por meio da assessoria, mas não se manifestaram. Ambos já negaram irregularidades relacionadas às acusações.
Em declaração anterior, Carlos Brandão afirmou que os processos que enfrenta desde 2024 seriam resultado de narrativas manipuladas após seu afastamento político de um grupo que, segundo ele, buscava permanecer no poder.
Daniel Brandão também afirmou anteriormente repudiar as tentativas de associar seu nome a fatos criminosos sem provas. Segundo ele, o condenado pelo assassinato teria declarado em vídeos que não possui qualquer relação com os fatos.
O presidente do TCE-MA acrescentou que as alegações seriam baseadas exclusivamente em narrativas e que seu nome estaria sendo associado ao episódio em meio a disputas eleitorais envolvendo o grupo político do governador Carlos Brandão.
Por: Informativo em Foco



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