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15.8.26

Palmeiras e Flamengo registram déficit no 1º semestre de 2026

Palmeiras e Flamengo fecharam o primeiro semestre de 2026 no vermelho, pressionados por altos custos do futebol e investimentos em jogadores.

Palmeiras e Flamengo, apontados como as duas principais forças do futebol brasileiro nos últimos anos, registraram déficit no primeiro semestre de 2026. Os dois clubes acumulam conquistas em competições estaduais, nacionais e continentais, mas enfrentam pressão financeira diante dos altos custos para manter elencos estrelados e contratar reforços.

Segundo dados do site especializado Transfermarkt, o Palmeiras possui o elenco mais valioso do futebol brasileiro, avaliado em cerca de EUR 232,5 milhões (R$ 1,4 bilhão). O Flamengo aparece em segundo, com EUR 218 milhões (R$ 1,3 bilhão), enquanto o Cruzeiro ocupa a terceira posição, com um plantel avaliado em EUR 167 milhões (R$ 995 milhões).

Entre janeiro e junho, o Palmeiras acumulou despesas superiores às receitas em R$ 124,1 milhões. Somente o futebol profissional apresentou déficit de aproximadamente R$ 150 milhões, resultado de receitas de R$ 410 milhões e despesas de R$ 560 milhões.

A principal despesa do clube foi a categoria de “pessoal e encargos sociais”, que chegou a R$ 196 milhões. Em seguida aparecem a amortização dos direitos de jogadores, com R$ 154 milhões, e as despesas com direitos de imagem, que somaram R$ 71,2 milhões.

“Os custos salariais estão completamente fora da realidade”, afirmou Amir Somoggi, diretor da consultoria Sports Value.

O Palmeiras também registrou receitas abaixo do orçamento previsto para o período. A expectativa era de R$ 720 milhões, mas o clube arrecadou R$ 540 milhões. Segundo Somoggi, os custos permaneceram elevados.

O clube informou que não se pronunciaria sobre os números. A diretoria já havia sinalizado que priorizaria a manutenção de jogadores considerados imprescindíveis para a busca de novas conquistas.

Outro fator que pesou nas contas foi a venda de jogadores. Segundo Fernando Trevisan, especialista em gestão e marketing esportivo e diretor-geral da Trevisan Escola de Negócios, o Palmeiras previa faturar R$ 200 milhões com a negociação de direitos de atletas, mas fechou o período com apenas R$ 50 milhões.

Entre os jogadores mais cobiçados por clubes europeus está o atacante argentino Flaco López, vice-campeão da Copa do Mundo com a Argentina e artilheiro do Palmeiras na temporada, com 17 gols em 40 partidas.

A pausa para o Mundial também comprometeu as receitas com bilheteria, segundo avaliação interna do clube. Para Somoggi, caso não haja uma correção de rota, o déficit do Palmeiras pode chegar a R$ 200 milhões até o fim de 2026.

No Flamengo, o déficit foi menor e ficou em R$ 33,8 milhões. O clube não apresentou grandes quedas de receita e registrou crescimento nos ganhos obtidos com marketing e com a operação do Maracanã.

O principal impacto nas contas do rubro-negro veio do alto investimento realizado na janela de transferências do início do ano. O Flamengo desembolsou cerca de EUR 53,7 milhões (R$ 320 milhões), sendo aproximadamente EUR 42 milhões (R$ 250 milhões) destinados à contratação de Lucas Paquetá, que estava no West Ham, da Inglaterra.

De acordo com o Flamengo, somente as despesas com a amortização contábil dos direitos econômicos dos jogadores contratados na janela de janeiro somaram R$ 192,4 milhões.

A receita recorrente bruta do clube, sem considerar a venda de atletas, chegou a R$ 732,4 milhões no semestre, alta de 2,9%. O resultado ocorreu mesmo diante de uma base de comparação que incluía R$ 155,8 milhões em receitas extraordinárias relacionadas à participação na Copa do Mundo de Clubes de 2025.

“Sem esse efeito extraordinário, a receita recorrente teria crescido cerca de 32%, fruto da maturação das principais frentes comerciais”, afirmou o clube.

Para Somoggi, o Flamengo precisará ampliar cada vez mais o faturamento para sustentar a atual estrutura de custos. O especialista destacou ainda o aumento das receitas de patrocínio, impulsionado por novos contratos, mas apontou a elevação dos custos salariais como um fator de pressão sobre as contas.

O Flamengo afirmou permanecer confiante na continuidade do crescimento das receitas e no fortalecimento da geração recorrente de resultados. Segundo o clube, as principais frentes comerciais estão amadurecendo e os contratos já assinados oferecem sustentação para o atual ciclo.

Apesar dos déficits, Somoggi avaliou que Flamengo e Palmeiras continuam sendo clubes “sólidos financeiramente”. Trevisan também ponderou que os números não são alarmantes, mas ressaltou a necessidade de acompanhar o desempenho econômico-financeiro das duas equipes diante da pressão provocada por um custo anual do futebol próximo de R$ 1 bilhão.

Por: Informativo em Foco

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