FIFA recua de projeto bilionário após críticas e ameaça de boicote de confederações ao plano de investimento no futebol.
O presidente da FIFA, Gianni Infantino, anunciou a retirada da proposta que previa a criação da FIFA Forward Enterprise (FFE), empresa voltada à gestão das atividades comerciais e de eventos da entidade. A decisão foi tomada após fortes críticas e divergências entre as confederações, que consideraram que o projeto deixou de atender ao objetivo inicial de promover a união no futebol mundial.
Em comunicado, Infantino afirmou que, após ouvir atentamente os diferentes pontos de vista, ficou evidente que a proposta havia provocado divisões entre os membros da entidade. Segundo ele, o objetivo da FIFA sempre foi promover a união e o desenvolvimento do futebol, motivo pelo qual o projeto não seguirá adiante.
Apresentado na terça-feira, o plano previa elevar para US$ 10 bilhões o financiamento destinado ao desenvolvimento do futebol nos próximos quatro anos. Para isso, a FIFA pretendia criar a FIFA Forward Enterprise, uma empresa aberta à participação de investidores privados, responsável por administrar as atividades comerciais e os eventos da organização.
A proposta enfrentou resistência imediata, principalmente da UEFA, que reúne 55 federações europeias. A entidade chegou a ameaçar, por unanimidade, não participar das próximas competições organizadas pela FIFA, incluindo a Copa do Mundo, caso o projeto fosse mantido.
A CONCACAF, formada por 41 federações da América do Norte, América Central e Caribe, também rejeitou a proposta. Na sequência, a Confederação Asiática de Futebol (AFC) declarou que o projeto não reunia o consenso e a unidade necessários para avançar.
Já as confederações africana e da Oceania adotaram uma posição mais cautelosa, orientando suas federações a analisar e avaliar a proposta. A CONMEBOL, por sua vez, pediu esclarecimentos e destacou que o futebol deve permanecer acima de qualquer outro interesse.
Pelo projeto, a FIFA pretendia arrecadar até US$ 4,2 bilhões por meio da venda de participações da FIFA Forward Enterprise a investidores privados, que manteriam uma participação minoritária de até 20% na empresa.
Entre os possíveis investidores citados pelos críticos estava o fundo Thrive Capital, criado por Joshua Kushner, irmão de Jared Kushner, genro do presidente norte-americano Donald Trump. A relação foi associada à proximidade demonstrada por Gianni Infantino com Trump antes e durante a Copa do Mundo de 2026.
Caso a proposta fosse aprovada, cada uma das 211 federações filiadas à FIFA poderia receber um repasse extraordinário de US$ 20 milhões no início de 2027. Além disso, os recursos destinados ao período entre 2027 e 2030 seriam ampliados de US$ 8 milhões para US$ 20 milhões por federação.
Por: Informativo em Foco



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