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16.7.26

Mulher é internada na UTI após suspeita de intoxicação por ciguatera

Mulher de 72 anos permanece internada após consumir peixe em Natal. Caso é investigado como suspeita de intoxicação por ciguatera.

Uma mulher de 72 anos permanece internada e intubada em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI) após consumir uma moqueca de peixe em Natal. O caso é tratado como suspeita de intoxicação por ciguatera. Outras duas mulheres que participaram da mesma refeição também precisaram de atendimento intensivo, mas já receberam alta e seguem em recuperação em casa.

Fátima Santos comeu uma moqueca preparada com uma cioba durante um almoço realizado na casa de amigas em 27 de junho. Cerca de 40 minutos após a refeição, ela, a professora aposentada Mirian Carvalho e a advogada Cíntia Carvalho começaram a apresentar sintomas e precisaram ser hospitalizadas.

Segundo relato de Cíntia Carvalho à TV Ponta Negra, afiliada do SBT, ela sofreu queda acentuada da pressão arterial, batimentos cardíacos fracos, vômitos, diarreia, dores, coceira pelo corpo, cansaço e sensação de queimação nas mãos, nos pés e na boca. “Foi a experiência mais assustadora que eu já vivi na minha vida. Não só por mim, mas por ver a minha mãe também ao meu lado sofrendo muito”, afirmou.

Mirian Carvalho informou que a cioba foi comprada congelada em uma peixaria do bairro onde mora. Segundo ela, o peixe não apresentava qualquer alteração de cheiro, aparência ou sabor antes do preparo. Cíntia também relatou que a refeição transcorreu normalmente até o surgimento repentino dos sintomas cerca de 40 minutos depois.

De acordo com Mirian, Fátima também teria apresentado alterações neurológicas. A filha da paciente relatou episódios de esquecimento e mudanças de comportamento. A informação, no entanto, não foi confirmada pelo hospital.

A principal suspeita é de intoxicação por ciguatera, condição provocada pelo consumo de peixes contaminados por ciguatoxinas, substâncias produzidas por microalgas marinhas que se acumulam na cadeia alimentar. A toxina não é eliminada pelo cozimento, congelamento ou salga e também não altera o cheiro, o sabor ou a aparência do pescado, dificultando a identificação da contaminação.

O Rio Grande do Norte registrou aumento nas notificações de ciguatera em 2026. Até 11 de junho, o estado contabilizou 141 ocorrências, contra 88 durante todo o ano de 2025, uma alta de 60,2%. Desde 2022, foram registradas 259 notificações, com 113 casos confirmados e duas mortes, segundo a Secretaria de Estado da Saúde Pública (Sesap).

De acordo com Diana Rêgo, coordenadora de Vigilância em Saúde da Sesap, parte do aumento está relacionada à adoção da notificação compulsória neste ano, o que ampliou a identificação dos casos pelos profissionais de saúde. A secretaria monitora as intoxicações desde 2022 e intensificou as ações em 2025, promovendo reuniões com representantes da agricultura, da pesca, pesquisadores e colônias de pescadores para estudar a ocorrência da toxina no litoral potiguar.

O primeiro semestre concentra a maior parte das ocorrências. Entre as espécies mais frequentemente associadas à intoxicação estão bicuda, arabaiana, dourado, cioba, pescada-branca, galo-do-alto, pargo e sirigado. Natal concentra 52,21% dos registros estaduais, seguida por Touros, Ceará-Mirim, Nísia Floresta, Parnamirim e Extremoz.

Os sintomas da ciguatera podem surgir poucos minutos ou até 48 horas após o consumo do peixe. As manifestações mais comuns incluem dor abdominal, náuseas, vômitos e diarreia, além de alterações neurológicas e cardiovasculares, como coceira, dormência, fraqueza, tontura, dor de cabeça, inversão da sensação térmica, pressão baixa e redução dos batimentos cardíacos em casos mais graves.

A orientação da Sesap é que qualquer pessoa que apresente sintomas após consumir pescado procure atendimento médico imediatamente. Também é recomendado informar qual espécie de peixe foi consumida e, sempre que possível, preservar sobras congeladas para análise da Vigilância Sanitária.

O UOL informou que procurou o Hospital do Coração e a Secretaria de Saúde do Rio Grande do Norte para atualizar o estado de saúde de Fátima Santos e confirmar o andamento da investigação. O texto será atualizado caso haja manifestação dos órgãos.

Por: Informativo em Foco

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