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29.7.26

Hepatite viral mata 20,9% dos idosos internados no SUS

Levantamento com dados do DataSUS mostra aumento da mortalidade por hepatites virais entre idosos internados no SUS.

Um em cada cinco pacientes com 80 anos ou mais internados por hepatite viral no Sistema Único de Saúde (SUS) morre durante a hospitalização. A mortalidade nesse grupo chega a 20,9%, segundo levantamento do Grupo IAG Saúde, realizado com base em dados do DataSUS, que analisou 42.314 internações por hepatites virais entre 2016 e 2025.

O estudo aponta que o risco de morte aumenta conforme a idade dos pacientes. Entre adultos de 18 a 59 anos, a mortalidade hospitalar foi de 6,5%. O índice sobe para 14,2% entre pessoas de 60 a 69 anos, chega a 16,1% na faixa de 70 a 79 anos e alcança 20,9% entre pacientes com 80 anos ou mais. Considerando todas as idades, a mortalidade média no período foi de 7,8%.

O levantamento foi divulgado durante o Julho Amarelo, campanha de conscientização sobre as hepatites virais, que tem o dia 28 de julho como Dia Mundial de Luta contra as Hepatites Virais. As doenças são infecções que atingem o fígado e podem causar alterações leves, moderadas ou graves.

Em muitos casos, as hepatites virais evoluem de forma silenciosa, sem apresentar sintomas. Quando aparecem, os sinais podem incluir cansaço, febre, mal-estar, tontura, enjoo, vômitos, dor abdominal, pele e olhos amarelados, urina escura e fezes claras.

A análise considerou apenas internações em que a hepatite viral foi registrada como diagnóstico principal, utilizando os códigos B15 a B19 da CID-10 (Classificação Internacional de Doenças). Dessa forma, foram incluídos casos em que a doença foi a causa central da hospitalização.

Segundo Alexandre Naime Barbosa, chefe do Departamento de Infectologia da Unesp e integrante da diretoria da Sociedade Brasileira de Clínica Médica, a mortalidade entre idosos mostra que o prognóstico da doença não depende apenas da ação do vírus.

"Não é apenas o vírus isoladamente que define o prognóstico. É a combinação entre a infecção, a idade, as condições clínicas preexistentes e o momento em que o diagnóstico é realizado", afirmou.

O especialista destacou que o envelhecimento da população brasileira ocorre junto com uma parcela de pessoas que pode ter adquirido hepatite B ou C há décadas, mas permaneceu sem diagnóstico. Para ele, ampliar a testagem e o acompanhamento contínuo é fundamental para evitar casos mais graves.

As hepatites causadas pelos vírus B, C e D podem se tornar crônicas e evoluir durante anos sem identificação. Com o tempo, podem provocar fibrose avançada, cirrose, câncer no fígado e até a necessidade de transplante do órgão.

Outro dado apontado pelo levantamento mostra que pacientes internados por hepatite crônica apresentaram mortalidade maior do que aqueles com casos agudos. A taxa foi de 10,1% nos casos crônicos, contra 7,1% nos quadros agudos.

De acordo com Alexandre Naime Barbosa, a diferença está relacionada ao tempo de agressão ao fígado. Segundo ele, a hepatite aguda representa um episódio recente de inflamação e pode levar à recuperação completa em muitos pacientes, enquanto a forma crônica indica uma permanência prolongada do vírus no organismo.

O infectologista reforçou ainda que a ausência de sintomas não significa ausência de risco. Muitas pessoas podem permanecer aparentemente saudáveis enquanto o processo de lesão no fígado continua avançando.

A análise dos dados também revelou diferenças regionais no número de internações e na mortalidade. A região Norte apresentou a maior incidência de hospitalizações por hepatites virais, com 39,7 internações por 100 mil habitantes. Segundo Barbosa, o resultado está relacionado à maior circulação da hepatite B e, em algumas áreas da Amazônia, da hepatite D.

Estados como Acre, Rondônia, Amazonas e Pará aparecem entre os locais com maior número de internações. Já o Nordeste apresentou a maior mortalidade hospitalar entre as regiões, com 9,1%, além do maior tempo médio de internação, de 8,1 dias.

O Sul registrou os menores índices, com mortalidade hospitalar de 6,5% e permanência média de seis dias.

Para Barbosa, as diferenças entre as regiões não devem ser atribuídas apenas às características dos vírus, mas também a fatores como acesso aos serviços de saúde, disponibilidade de especialistas, capacidade de diagnóstico e acompanhamento dos pacientes.

O SUS oferece vacinação contra as hepatites A e B, além de diagnóstico e tratamento para hepatites B e C. O Ministério da Saúde estabeleceu como meta eliminar as hepatites virais como problema de saúde pública até 2030.

Segundo o infectologista, o Brasil já possui ferramentas eficazes de prevenção e tratamento, mas o desafio está em garantir que essas medidas cheguem às pessoas que precisam delas no momento adequado, especialmente grupos como idosos, pessoas que receberam transfusões antigas, usuários de drogas e população privada de liberdade.

"A hepatite pode ser silenciosa, mas suas consequências não são. O que precisamos evitar é que o hospital seja o primeiro lugar em que essa doença finalmente apareça", concluiu.

Por: Informativo em Foco

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