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17.7.26

Febre maculosa já matou 17 pessoas em São Paulo em 2026

São Paulo registra 17 mortes por febre maculosa em 2026. Autoridades reforçam medidas de prevenção e destacam importância do diagnóstico precoce.

A febre maculosa provocou 17 mortes em São Paulo nos sete primeiros meses de 2026, segundo levantamento da Secretaria de Estado da Saúde. Os óbitos foram registrados em diferentes regiões do estado, enquanto autoridades de saúde reforçam ações de prevenção e alertam para a importância do diagnóstico precoce, já que a doença apresenta alta taxa de letalidade.

As mortes ocorreram nas regiões de Vigilância Epidemiológica de Piracicaba, Sorocaba e Campinas, com três registros cada, além de Santo André e São José dos Campos, com um caso cada. Nos demais óbitos, os locais prováveis de infecção ainda estão sendo investigados pelas autoridades sanitárias.

A vítima mais recente foi o engenheiro civil Rubens Allan Bizarro, de 37 anos, morador de Americana. Ele morreu no dia 30 de junho, após permanecer internado no Hospital Municipal Dr. Waldemar Tebaldi. A Secretaria de Saúde do município confirmou a febre maculosa como causa da morte na terça-feira (14), após a conclusão do laudo emitido pelo Instituto Adolfo Lutz. O local onde ocorreu a infecção segue sob investigação pelo Programa de Vigilância e Controle do Escorpião e Carrapato (PVCE).

Embora o número de mortes seja inferior ao registrado em todo o ano de 2025, quando o estado contabilizou 44 óbitos entre 61 casos confirmados, a letalidade da doença preocupa. Em 2026, a Secretaria Estadual da Saúde registrou oficialmente 18 casos, dos quais 17 evoluíram para morte.

Entre 2020 e 2025, São Paulo acumulou 489 casos de febre maculosa e 244 óbitos, conforme dados da Secretaria da Saúde.

O número de casos neste ano ainda pode aumentar, já que diversas notificações permanecem em investigação. Em Americana, foram registradas 22 notificações da doença. Dessas, 16 foram descartadas, cinco seguem em análise e uma morte foi confirmada. Segundo a Secretaria Municipal de Saúde, não há outros óbitos suspeitos relacionados à doença.

A Prefeitura de Americana orienta a população a evitar áreas consideradas de risco, como margens de rios, córregos, lagoas e da Represa do Salto Grande. Caso seja necessário frequentar esses locais, a recomendação é utilizar roupas claras, inspecionar o corpo a cada três horas e ficar atento ao aparecimento de sintomas. O município mantém desde 2006 o Programa de Vigilância e Controle do Escorpião e Carrapato, responsável pelo monitoramento das áreas de risco e pela instalação de placas de alerta sobre a presença do carrapato-estrela.

A região de Campinas concentra parte significativa dos registros. Em Araras, duas crianças morreram em janeiro em decorrência da doença. As vítimas, um menino de 8 anos e uma menina de 9, estudavam na mesma escola e moravam no bairro Jardim Aeroporto. O município informou que intensificou as ações de prevenção, incluindo treinamento das equipes de saúde para ampliar o reconhecimento precoce da doença, reforço da sinalização em áreas de risco, campanhas educativas e monitoramento de locais com grande presença de capivaras, principais hospedeiras do carrapato-estrela.

Segundo a prefeitura, as duas crianças estiveram em uma mesma área posteriormente vistoriada pela Coordenadoria de Controle de Doenças da Secretaria de Estado da Saúde. Após os casos, o município ampliou a capacitação dos profissionais de saúde e reforçou o trabalho de conscientização da população e de identificação de áreas suscetíveis à presença do carrapato.

A febre maculosa é causada por bactérias do gênero Rickettsia e transmitida pela picada de carrapatos, especialmente o carrapato-estrela, também conhecido como carrapato-de-cavalo ou rodoleiro. Esses aracnídeos costumam ser encontrados em áreas de vegetação frequentadas por animais como capivaras, cavalos, cães e gatos.

Os primeiros sintomas costumam ser febre alta, dor de cabeça, dores musculares, náuseas e mal-estar, quadro que pode ser confundido com dengue e outras viroses. As manchas avermelhadas, consideradas características da doença, geralmente surgem apenas em estágios mais avançados, dificultando o diagnóstico precoce.

A Secretaria de Estado da Saúde informou que mantém ações integradas para reduzir a incidência e a letalidade da febre maculosa. Entre as medidas estão a notificação obrigatória de casos suspeitos, investigações epidemiológicas, monitoramento contínuo, fortalecimento do diagnóstico laboratorial, capacitação permanente dos profissionais de saúde e integração entre as vigilâncias epidemiológica, ambiental e laboratorial para identificação de áreas de risco.

O tratamento é realizado com antibióticos e deve ser iniciado ainda na primeira semana após o início dos sintomas. Quanto mais cedo a medicação é administrada, menores são as chances de complicações graves e morte. As autoridades orientam que qualquer pessoa que apresente febre após frequentar áreas de mata, vegetação alta ou locais com presença de capivaras, cavalos e carrapatos informe essa exposição ao procurar atendimento médico.

Entre as principais medidas de prevenção estão o uso de roupas claras e de mangas compridas em áreas de risco, manter a barra da calça por dentro das meias, inspecionar cuidadosamente o corpo após atividades ao ar livre e remover rapidamente qualquer carrapato encontrado na pele. Atualmente, não existe vacina contra a febre maculosa.

Por: Informativo em Foco

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