Especialista alerta que cortar comprimidos nem sempre é seguro e pode reduzir a eficácia do tratamento ou aumentar o risco de efeitos adversos.
Cortar comprimidos ao meio é uma prática comum entre pessoas que desejam facilitar a ingestão, ajustar doses ou economizar medicamentos. No entanto, nem todos os remédios podem ser divididos com segurança. Em alguns casos, o hábito pode comprometer a eficácia do tratamento e até aumentar o risco de efeitos adversos.
Segundo o farmacêutico Ivan Olisan, docente do curso de Farmácia da Unopar, alguns medicamentos possuem revestimentos especiais, mecanismos de liberação controlada ou distribuição específica do princípio ativo, características que podem ser alteradas quando o comprimido é partido de forma inadequada.
"O corte só deve ser realizado com orientação profissional. Existem comprimidos desenvolvidos para liberar o medicamento de forma gradual no organismo. Quando eles são divididos, esse mecanismo pode ser comprometido, reduzindo a eficácia do tratamento ou aumentando o risco de efeitos adversos", explica o especialista.
Além disso, medicamentos que não possuem sulco — a marcação feita para facilitar a divisão — exigem atenção redobrada. Nesses casos, o corte pode resultar em doses desiguais, comprometendo a quantidade correta do medicamento em cada metade.
Quais comprimidos não devem ser cortados?
De acordo com o especialista, alguns tipos de medicamentos exigem cuidados específicos:
- Comprimidos de liberação prolongada: são formulados para liberar o princípio ativo lentamente ao longo do dia. Quando cortados, podem liberar toda a substância de uma só vez, aumentando o risco de reações adversas.
- Comprimidos revestidos: o revestimento protege o medicamento da ação do ácido do estômago, reduz irritações ou garante que ele seja absorvido no local adequado. Ao partir o comprimido, essa proteção pode ser perdida.
- Medicamentos sem sulco de divisão: a ausência da marcação aumenta a chance de cortes irregulares, resultando em doses diferentes entre as metades.
- Cápsulas, drágeas e medicamentos de formatos especiais: esses produtos não devem ser abertos ou divididos sem orientação profissional, pois isso pode alterar sua ação no organismo.
- Comprimidos armazenados após o corte: depois de partidos, ficam mais expostos ao calor, à umidade e ao contato com o ar, fatores que podem reduzir sua estabilidade e eficácia.
Farmácia de manipulação pode ser alternativa
Quando há necessidade de ajustar a dose de um medicamento, a farmácia de manipulação pode oferecer uma alternativa mais segura do que partir comprimidos ou abrir cápsulas.
Segundo Ivan Olisan, a manipulação permite preparar a quantidade exata prescrita pelo profissional de saúde, utilizando matérias-primas padronizadas e seguindo rigorosos controles de qualidade.
"Quando o paciente precisa de doses intermediárias, apresenta dificuldade para engolir comprimidos ou necessita de uma adequação específica da prescrição, a farmácia magistral pode oferecer soluções individualizadas, garantindo maior precisão e segurança ao tratamento", afirma.
Orientação profissional é fundamental
O especialista reforça que qualquer mudança na forma de utilizar um medicamento deve ser feita apenas com orientação médica ou farmacêutica.
"Nem todos os medicamentos podem ser fracionados ou manipulados da mesma forma. A avaliação técnica é essencial para garantir que a eficácia e a segurança do tratamento sejam preservadas", conclui.
Por: Informativo em Foco



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