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28.7.26

Casos de sarampo em SP chegam a 11 e acendem alerta por vacinação

São Paulo registra 11 casos de sarampo em 2026, com maioria entre crianças, e reforça importância da vacinação contra a doença.

A cidade de São Paulo registrou 11 casos de sarampo em 2026, segundo informações da Secretaria Municipal da Saúde. Os casos estão distribuídos em quatro distritos: Vila Maria e Vila Medeiros, na zona norte, e Capão Redondo e Jabaquara, na zona sul. Outros dois casos permanecem em investigação para definição do local de residência.

Do total de registros, seis ocorreram em mulheres e cinco em homens, com idades entre cinco meses e 53 anos. A maioria dos casos envolve bebês com menos de um ano, que ainda não tinham indicação de vacinação conforme o calendário vigente. Também foram identificadas ocorrências em duas crianças de um ano.

Entre os adultos infectados, apenas um possuía o esquema vacinal completo. Dois não haviam sido vacinados e um recebeu somente uma dose da vacina tríplice viral, que protege contra sarampo, caxumba e rubéola.

Os dois primeiros casos registrados, com início dos sintomas em fevereiro e março, foram classificados como importados, sendo um relacionado à Bolívia e outro à Guatemala. Os demais casos, identificados entre junho e julho, apresentaram o genótipo D8, compatível com a linhagem atualmente predominante nas Américas.

A Secretaria Municipal da Saúde informou que as investigações epidemiológicas continuam e que mantém ações permanentes de intensificação da vacinação com a tríplice viral, seguindo as orientações do Programa Nacional de Imunizações (PNI) e das estratégias de vigilância epidemiológica.

Para a infectologista Thaís Guimarães, integrante da diretoria da Sociedade Paulista de Infectologia (SBI), o retorno do sarampo já era esperado diante do cenário de baixa vacinação e do aumento de deslocamentos durante períodos de férias e viagens.

Segundo a especialista, a doença possui alta capacidade de transmissão. Uma pessoa infectada pode transmitir o vírus para outras nove pessoas. A contaminação ocorre por via respiratória, por meio de partículas virais presentes em aerossóis liberados durante tosse, coriza e outros sintomas.

"A pessoa está transmitindo sem ter os sinais da doença ainda. Só a vacinação é capaz de conter a disseminação", afirmou a infectologista.

Em novembro de 2024, a Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) recertificou o Brasil pela eliminação do sarampo, da rubéola e da síndrome da rubéola congênita. O país havia recebido a primeira certificação em 2016, mas perdeu o reconhecimento em 2018 após fatores como fluxo migratório, reintrodução do vírus e novos surtos.

A Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo certificação pode ser perdida novamente caso o país registre um ano de transmissão sustentada da doença. Segundo especialistas, a vacinação continua sendo a principal medida para evitar o avanço dos casos.

A Secretaria Estadual da Saúde de São Paulo recomenda a aplicação da chamada dose zero da tríplice viral para bebês entre 6 meses e 11 meses e 29 dias que vivem nos municípios de São Paulo, Guarulhos e São Bernardo do Campo.

A dose zero não substitui o calendário regular de vacinação. As crianças que recebem essa aplicação ainda devem tomar a primeira dose aos 12 meses e a segunda, preferencialmente com a vacina tetraviral, aos 15 meses.

O esquema recomendado prevê duas doses da tríplice viral para pessoas de 1 a 29 anos. Adultos entre 30 e 59 anos devem ter pelo menos uma dose, enquanto profissionais de saúde precisam comprovar duas doses independentemente da idade.

Dados do Ministério da Saúde apontam que, até 1º de junho, a cobertura vacinal da tríplice viral na capital paulista era de 48,65% na primeira dose e 44,17% na segunda. A meta estabelecida é alcançar pelo menos 95% do público-alvo.

O aumento dos casos também ocorre em um cenário internacional de preocupação. Os Estados Unidos enfrentam o pior surto de sarampo em três décadas, associado também à resistência de parte da população à vacinação. Especialistas alertam para o risco de circulação do vírus durante períodos de maior movimentação internacional.

Por: Informativo em Foco

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