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9.7.26

Ameba "comedora de cérebros": casos preocupam especialistas e exigem atenção

A chamada "ameba comedora de cérebros", cientificamente conhecida como Naegleria fowleri, voltou a chamar a atenção de especialistas após o aumento de casos registrados em diferentes regiões do mundo. Embora a infecção seja extremamente rara, a doença apresenta alta taxa de mortalidade e exige diagnóstico rápido.

O organismo vive principalmente em águas doces e quentes, como lagos, fontes termais e piscinas mal conservadas. A infecção acontece quando a água contaminada entra pelo nariz, permitindo que a ameba alcance o cérebro, onde provoca a meningoencefalite amebiana primária, uma doença grave.

Casos aumentam em diferentes países

Dados publicados em 2025 apontam que, entre 1962 e 2023, foram registrados 488 casos da doença em todo o mundo, com cerca de 97% de mortalidade. No entanto, somente no ano passado, mais de 200 infecções foram identificadas no estado de Kerala, na Índia, considerado o maior surto já registrado.

Especialistas também observaram o surgimento de casos em regiões onde a presença da ameba era considerada incomum, incluindo países da Europa e áreas mais frias dos Estados Unidos.

No Brasil, um caso recente foi registrado em Rondônia, onde uma criança de nove anos morreu após contrair a infecção.

Mudanças climáticas podem favorecer a expansão

Pesquisadores avaliam que o aumento da temperatura das águas pode estar contribuindo para a expansão do habitat da Naegleria fowleri.

Segundo especialistas, águas mais quentes favorecem a atividade da ameba, aumentando o risco de exposição durante atividades recreativas.

Outro fator apontado é a ampliação da capacidade de diagnóstico, permitindo identificar casos que anteriormente poderiam passar despercebidos.

Crianças estão entre os grupos mais vulneráveis

Especialistas afirmam que crianças apresentam maior risco de infecção, principalmente porque costumam brincar em águas rasas, mergulhar e permitir maior entrada de água pelo nariz.

Os sintomas iniciais podem ser confundidos com meningite e incluem:

  • dor de cabeça intensa;
  • febre;
  • náuseas e vômitos;
  • rigidez na nuca;
  • alterações neurológicas, como confusão mental e alucinações.

Com a evolução da doença, podem ocorrer convulsões, inchaço cerebral e rápida piora do quadro clínico.

Diagnóstico precoce pode aumentar as chances de sobrevivência

Apesar da elevada mortalidade histórica, pesquisadores observaram que parte dos pacientes diagnosticados durante o surto registrado na Índia conseguiu sobreviver.

Os especialistas atribuem esse resultado ao reconhecimento mais rápido da doença, ao tratamento iniciado precocemente e à adoção de protocolos médicos mais consistentes.

Ainda assim, a infecção continua sendo considerada extremamente grave.

Como reduzir o risco de infecção

As autoridades de saúde recomendam algumas medidas simples para diminuir ainda mais o risco de contaminação:

  • evitar que água doce quente entre pelo nariz durante mergulhos;
  • utilizar clipes nasais ao praticar atividades aquáticas em lagos e rios;
  • evitar mexer no fundo de lagos e águas paradas, onde a ameba pode estar presente;
  • utilizar apenas água destilada, esterilizada ou previamente fervida e resfriada para irrigação nasal.

Especialistas reforçam que a infecção é rara, mas alertam que a prevenção continua sendo a principal forma de proteção, especialmente durante atividades em águas doces aquecidas.

Por Redação: Informativo em Foco

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