Alok relembrou o período em que trabalhou em Londres, contou como superou a depressão e falou sobre a nova turnê e o uso da inteligência artificial.
Alok relembrou as dificuldades enfrentadas no início da carreira durante entrevista à BBC News Brasil, concedida antes da estreia da turnê Rave the World, em Londres. O DJ contou que trabalhou como assistente de barman na capital britânica após não conseguir viver da música e revelou que chegou a pensar em abandonar a profissão.
O retorno à cidade, onde abriu a nova turnê em junho, despertou lembranças marcantes. Segundo o artista, em 2010 ele recolhia bitucas de cigarro nas calçadas enquanto sonhava em construir uma carreira na música eletrônica.
"Vir para cá me dá até alguns gatilhos. Naquele momento, eu limpava o chão enquanto o DJ tocava, recolhia as bitucas de cigarro da rua enquanto as pessoas ficavam na fila. Muitos brasileiros vêm para cá com um sonho, acabam ralando muito, mas eu não dei conta e voltei para o Brasil", afirmou.
Influência da família e início na música
Alok contou que a trajetória dos pais influenciou diretamente sua carreira. Ekanta e Swarup, pioneiros do psytrance no Brasil, tiveram contato com o gênero enquanto trabalhavam nos Estados Unidos e passaram a difundi-lo no país.
O DJ também relembrou a infância marcada por mudanças frequentes entre Brasil, Estados Unidos e Holanda. Segundo ele, essa experiência moldou sua visão de mundo e influenciou sua relação com a música.
Após retornar de Londres, Alok revelou que pensou em abandonar a carreira artística e voltar à faculdade de Relações Internacionais. No entanto, foi incentivado pelos próprios pais a insistir no sonho.
A mudança do psytrance para a house music marcou uma nova fase profissional. O sucesso veio definitivamente em 2016 com Hear Me Now, parceria com Zeeba e Bruno Martini, considerada até hoje a música brasileira mais reproduzida no Spotify.
Depressão e aproximação com povos indígenas
Mesmo após alcançar reconhecimento internacional, Alok afirmou que enfrentou um período de depressão. A busca por equilíbrio o levou a visitar a aldeia dos Yawanawá, no Acre, experiência que deu origem ao projeto O Futuro É Ancestral.
Além de gravar um álbum com diferentes povos indígenas, o artista participou da criação de um acervo com centenas de cantos tradicionais para ajudar na preservação da cultura indígena.
Segundo Alok, a convivência com os povos originários também ampliou sua atuação em pautas ambientais e na defesa dos direitos indígenas.
Nova turnê aborda tecnologia e inteligência artificial
Na entrevista, o DJ também falou sobre a turnê Rave the World, que mistura elementos tecnológicos e resgata influências do início de sua carreira.
Alok afirmou que utiliza inteligência artificial como ferramenta de produção musical, especialmente para testar vocais antes das gravações, mas defendeu limites para o uso da tecnologia na arte.
"A IA é uma ferramenta maravilhosa e vem para trazer conforto, mas a arte não é só para confortar. É para nos confrontar, fazer refletir. Temos que ter cuidado para não tirar o ser humano da equação. A IA pode ser uma ferramenta, mas não pode ocupar nosso lugar", declarou.
Por Redação: Informativa em Foco



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