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22.6.26

PF aponta rede de fraudes e lavagem no Banco Master de Vorcaro

A Polícia Federal (PF) aponta a existência de uma rede estruturada e hierarquizada envolvida em supostos esquemas de fraudes no sistema financeiro e lavagem de dinheiro ligados ao ex-dono do Banco Master, Daniel Vorcaro. As informações constam em relatórios divulgados nesta semana após autorização do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, para quebra de sigilo de parte das investigações. O banco, que foi liquidado no ano passado, é citado em apurações sobre movimentações financeiras bilionárias e possíveis irregularidades na captação de recursos.

De acordo com a PF, Vorcaro contava com a atuação de um grupo formado por familiares, policiais federais, servidores ligados ao Banco Central, integrantes da Interpol e até bicheiros. A investigação aponta que a estrutura operava de forma organizada, com divisão de funções para fraudes financeiras, monitoramento de investigações e ações de intimidação.

O ex-banqueiro é investigado por crimes como emissão de títulos de crédito falsificados, corrupção, ameaça e lavagem de dinheiro. Os relatórios também indicam que ele mantinha influência em ambientes políticos e midiáticos, com articulações envolvendo figuras públicas citadas nas apurações.

Entre os nomes mencionados, a PF relata a relação de Vorcaro com o senador Ciro Nogueira (PP-PI), descrito em conversas como “grande amigo de vida”. Segundo os investigadores, haveria indícios de uso de cargo público para atender interesses privados, além de supostos pagamentos de vantagens indevidas, como mesadas e custeio de viagens. Também são citados repasses mensais de cerca de R$ 300 mil atribuídos a operações intermediadas por familiares do ex-banqueiro.

Outro político citado é o senador Jaques Wagner (PT-BA), que, conforme os relatórios, teria atuado na defesa de interesses do Banco Master no Congresso e recebido vantagens como viagens em aeronaves particulares, ingressos e a suposta ocultação de um imóvel de luxo em Salvador.

A PF descreve ainda a existência de núcleos internos dentro do esquema. Um deles, apelidado de “A Turma”, seria composto por policiais federais responsáveis por intimidações, obtenção de dados sigilosos e acessos indevidos a sistemas. Outro grupo, chamado de “Os Meninos”, teria atuação na área tecnológica, com invasões de contas, e-mails e redes sociais de críticos.

As investigações também citam a utilização de estruturas ligadas à Interpol e ao FBI para monitoramento de riscos e possível perseguição a desafetos. Em conversas interceptadas, há menções a tentativas de acionar contatos internacionais para ações contra opositores, além de referência a altos valores para tais operações.

No núcleo financeiro, segundo a PF, familiares e pessoas próximas de Vorcaro seriam responsáveis pela gestão de recursos, pagamento de dívidas e repasses de valores aos envolvidos. O esquema também envolveria o controle de mídia, com pagamento de jornalistas e produção de conteúdos direcionados em defesa do grupo.

A investigação aponta ainda o uso de empresas de fachada, contratos simulados e sociedades de propósito específico (SPEs) para movimentação de recursos. Esses mecanismos seriam utilizados para ocultar a origem e o destino dos valores, com transferências rápidas entre empresas para dificultar o rastreamento financeiro.

Até o momento, as investigações seguem em andamento e não há conclusão judicial sobre os fatos relatados pela Polícia Federal.

Por: Redação Informativo em Foco

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