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1.6.26

Brasil enfrenta avanço da indústria da nicotina entre jovens, alerta INCA

INCA alerta para o avanço da indústria da nicotina entre jovens no Brasil e destaca riscos dos cigarros eletrônicos e aromatizados.

O Brasil enfrenta não apenas o desafio do tabagismo tradicional, mas também o avanço da indústria da nicotina, que tem adolescentes e jovens como principais alvos. O alerta foi feito pelo diretor-geral do Instituto Nacional de Câncer (INCA), Roberto Gil, durante evento realizado na última quinta-feira (28), em referência ao Dia Mundial sem Tabaco, celebrado em 31 de maio.

Segundo Roberto Gil, a gravidade do problema é ampliada pela falta de informação sobre os riscos do consumo de nicotina. Ele destacou que produtos capazes de causar dependência e morte em parte significativa dos usuários não deveriam existir.

O Ministério da Saúde também reforça a preocupação com o uso de aromatizantes e dispositivos eletrônicos para fumar, como vapes e pods, que tornam o consumo de nicotina mais atrativo, especialmente entre jovens. Esses produtos utilizam sabores, aromas, cores e sensações refrescantes para estimular a iniciação ao tabagismo.

Com o tema “Desmascarando o apelo: combatendo a dependência de nicotina e tabaco”, a campanha deste ano busca expor as estratégias da indústria do tabaco para atrair novos consumidores, principalmente crianças, adolescentes e jovens.

Dados da Organização Pan-Americana da Saúde (Opas) apontam que cerca de 2,6 milhões de adolescentes entre 13 e 15 anos consomem tabaco nas Américas, enquanto outros 2 milhões utilizam cigarros eletrônicos. Um estudo do INCA estima que o Brasil pode gastar até R$ 153 bilhões por ano com doenças relacionadas ao tabagismo.

Especialistas alertam ainda para uma mudança no perfil dos produtos consumidos, com a transição dos cigarros convencionais para versões com nicotina sintética, sais de nicotina e dispositivos eletrônicos, o que aumenta a atratividade entre novas gerações.

No campo regulatório, a Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) proíbe, desde 2012, o uso de aditivos que alterem sabor, aroma ou características dos produtos derivados do tabaco, com o objetivo de reduzir sua atratividade.

Apesar da norma, a indústria do tabaco segue questionando a regulamentação na Justiça. Um estudo publicado na revista científica Tobacco Control e apresentado pelo INCA aponta que cerca de metade das marcas de cigarros registradas no Brasil em 2025 não utilizavam os aditivos proibidos, indicando viabilidade de produção sem esses componentes.

Pesquisadores afirmam que a resistência da indústria estaria ligada a interesses comerciais, já que aromas e sabores contribuem para a iniciação ao consumo.

O INCA defende que o Supremo Tribunal Federal (STF) mantenha a validade da proibição dos aditivos em todo o território nacional, evitando novas contestações judiciais.

Especialistas do Ministério da Saúde também reforçam que não existe dispositivo eletrônico para fumar seguro e destacam a necessidade de prevenir a iniciação ao consumo de nicotina entre jovens.

O tabaco segue associado a diversas doenças crônicas, como câncer, diabetes, doenças cardiovasculares e respiratórias. No Brasil, o Programa Nacional de Controle do Tabagismo (PNCT), coordenado pelo INCA, reúne ações de prevenção, tratamento e redução da exposição à fumaça do tabaco.

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