Senado informa que Flávio Bolsonaro viajou aos EUA sem solicitar missão oficial com despesas pagas pela Casa.
O Senado Federal informou nesta quarta-feira que o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) não apresentou requerimento de missão oficial com despesas custeadas pela Casa para sua viagem aos Estados Unidos. Segundo o órgão, o parlamentar apenas comunicou oficialmente sua ausência do País entre os dias 24 e 28 de maio.
De acordo com o Senado, o regimento interno exige análise da Mesa Diretora apenas quando os custos de viagens nacionais ou internacionais são pagos pela instituição. Nesses casos, é necessário apresentar requerimento de licença para missão oficial.
Flávio Bolsonaro esteve nos Estados Unidos e publicou, na terça-feira, uma foto ao lado do presidente americano Donald Trump, na Casa Branca. O senador afirmou que o encontro representou um reconhecimento de que sua pré-candidatura à Presidência é “séria”, “sólida” e “confiável”, além de defender a construção de uma alternativa de governo alinhada aos Estados Unidos.
O parlamentar afirmou, porém, que Trump não declarou apoio oficial à sua pré-campanha. A viagem ocorreu duas semanas após o presidente Luiz Inácio Lula da Silva ser recebido pelo líder americano.
Nesta quarta-feira, Flávio declarou ter se reunido também com o vice-presidente dos Estados Unidos, J.D. Vance, e com o secretário de Estado, Marco Rubio. Segundo ele, os encontros serviram para reforçar o pedido de classificação das facções criminosas Primeiro Comando da Capital (PCC) e Comando Vermelho (CV) como organizações terroristas.
Questionado sobre a ausência de manifestações oficiais da Casa Branca sobre os encontros, o senador respondeu que se sentia honrado por ser recebido pelas “mais altas autoridades da maior democracia do mundo” e afirmou que isso demonstraria preocupação internacional com a situação política brasileira.
Nos bastidores do governo federal, a viagem foi interpretada por interlocutores do presidente Luiz Inácio Lula da Silva como uma tentativa de desviar o foco das recentes denúncias envolvendo o Banco Master.
Segundo aliados do governo ouvidos pela Coluna do Estadão, Flávio Bolsonaro estaria tentando reduzir os impactos da crise causada por revelações sobre sua relação com o banqueiro Daniel Vorcaro, investigado por fraudes financeiras ligadas ao Banco Master.
Reportagem publicada pelo site Intercept Brasil apontou que cerca de R$ 61 milhões dos R$ 134 milhões acertados entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro para a produção do filme “Dark Horse”, sobre a trajetória política do ex-presidente Jair Bolsonaro, teriam sido repassados entre fevereiro e maio de 2025.



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