Israel deporta ativistas de flotilha interceptada no Mediterrâneo após críticas internacionais sobre tratamento aos detidos.
O governo de Israel anunciou nesta quinta-feira a deportação de todos os ativistas estrangeiros que participavam de uma flotilha com destino à Faixa de Gaza e que foi interceptada pelas forças israelenses no mar Mediterrâneo. A medida ocorreu após forte repercussão internacional envolvendo o tratamento dado aos integrantes da missão.
A crise diplomática se intensificou após a divulgação de um vídeo publicado pelo ministro da Segurança Nacional de Israel, Itamar Ben-Gvir. Nas imagens, os ativistas aparecem com as mãos amarradas e a testa apoiada no chão enquanto o hino nacional israelense é reproduzido em alto volume.
A divulgação provocou reações de diversos países. O Reino Unido convocou o encarregado de negócios de Israel para prestar esclarecimentos. O Ministério das Relações Exteriores britânico afirmou que o vídeo “viola os padrões mais básicos de respeito e dignidade”.
Na Polônia, o chanceler Radoslaw Sikorski defendeu que Ben-Gvir seja proibido de entrar no país. Já o ministro das Relações Exteriores da Itália, Antonio Tajani, afirmou que a União Europeia deveria discutir possíveis sanções ao integrante do governo israelense.
Os Estados Unidos, aliados históricos de Israel, também criticaram o episódio. O embaixador americano Mike Huckabee declarou que, apesar de considerar a flotilha uma “ação estúpida”, Ben-Gvir “traiu a dignidade” de Israel pela forma como os detidos foram tratados.
Nos dias anteriores, governos de países como França, Bélgica, Canadá, Coreia do Sul, Espanha, Irlanda, Itália e Turquia já haviam manifestado preocupação com o tratamento dado aos ativistas.
Os cerca de 430 integrantes da flotilha foram retirados das embarcações e permaneceram detidos em Israel antes da deportação. Entre eles estavam quatro brasileiros: Beatriz Moreira, militante do Movimento dos Atingidos por Barragens; Ariadne Teles, advogada de direitos humanos e coordenadora da Global Sumud Brasil; Thainara Rogério, desenvolvedora de software; e Cássio Pelegrini, médico pediatra.
Segundo os organizadores da missão no Brasil, os brasileiros devem chegar à Turquia ainda nesta quinta-feira. A Turquia informou que enviaria aviões para repatriar seus cidadãos envolvidos na ação.
Os ativistas foram deportados pelo Aeroporto Ramon, no sul de Israel. De acordo com o grupo jurídico Adalah, os integrantes da flotilha estavam detidos na prisão de Ktzi'ot, localizada no deserto de Negev, próximo à fronteira com o Egito.
A flotilha era formada por quase 50 embarcações e havia partido do sul da Turquia na semana passada. Os organizadores afirmam que o objetivo da missão era levar ajuda humanitária à Faixa de Gaza e desafiar o bloqueio naval imposto por Israel.
Na segunda-feira, os ativistas relataram que militares israelenses começaram a subir a bordo dos barcos. Vídeos divulgados posteriormente mostram disparos efetuados por forças israelenses contra ao menos duas embarcações. Israel afirmou que realizou apenas “disparos de advertência”.
Esta foi a terceira tentativa do grupo de chegar à Faixa de Gaza por via marítima no período de um ano. As missões anteriores também foram interceptadas por Israel em águas internacionais. O primeiro-ministro israelense, Binyamin Netanyahu, classificou a iniciativa mais recente como um “projeto mal-intencionado”.



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