CBF aprova contas de 2025 com déficit de R$ 182,5 milhões após investimentos e queda nas receitas.
A Confederação Brasileira de Futebol aprovou por unanimidade suas contas de 2025 com déficit de R$ 182,5 milhões, revertendo o superávit de R$ 106,6 milhões registrado no ano anterior. Segundo a entidade, o resultado negativo é consequência de investimentos para regularização de passivos de gestões anteriores.
De acordo com a Confederação Brasileira de Futebol, um dos principais fatores para o déficit foi o pagamento de cerca de R$ 80 milhões em indenização ao Icasa, encerrando um processo iniciado em 2013. Na ocasião, o clube questionou a escalação irregular de um jogador do Figueirense na Série B do Campeonato Brasileiro, o que teria impactado a classificação final.
A entidade reconheceu posteriormente o erro, mas manteve os resultados em campo e recorreu da decisão judicial, prolongando o caso por mais de uma década. Para o economista César Grafietti, o balanço está adequado diante do contexto. “Assusta ver déficit, mas as explicações fazem sentido, considerando uma entidade que está resolvendo pendências do passado”, afirmou.
Outro fator que influenciou o resultado foi o acordo de patrocínio com a Nike, que envolveu antecipação de receitas. O presidente da Confederação Brasileira de Futebol, Samir Xaud, destacou o compromisso com a reorganização financeira e regularização de dívidas.
A receita líquida da entidade caiu 9% em 2025, totalizando R$ 1,1 bilhão. As receitas com patrocínio recuaram 3%, para cerca de R$ 438 milhões, enquanto os ganhos com direitos de transmissão e comerciais tiveram queda de 12%, somando aproximadamente R$ 638 milhões. Segundo o especialista Fernando Trevisan, fatores como histórico de gestão e desempenho esportivo podem ter impactado o interesse de marcas.
Apesar disso, os investimentos nas seleções brasileiras cresceram 22%, alcançando cerca de R$ 420 milhões. O aporte na seleção masculina subiu quase 40%, chegando a R$ 281 milhões, enquanto o investimento na seleção feminina caiu 22%, para R$ 94 milhões.
Os repasses às federações estaduais também aumentaram, com alta de 32%, totalizando R$ 80 milhões, voltados ao desenvolvimento do futebol em diferentes níveis. No total, o investimento da Confederação Brasileira de Futebol no futebol atingiu aproximadamente R$ 1,18 bilhão em 2025, crescimento de cerca de 9%.
Durante assembleia realizada no dia 27, a entidade aprovou ainda a previsão de receita de R$ 2,7 bilhões para 2026. De acordo com César Grafietti, o cenário atual é considerado saudável, com aplicações elevadas, ausência de dívidas e expectativa de aumento de receitas em ano de Copa do Mundo.



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