Estudo da Serasa revela aumento da inadimplência, endividamento no cartão e apostas online, afetando mais mulheres e idosos.
O Brasil enfrenta uma situação crítica de endividamento, com 81,7 milhões de CPFs negativados e mais de 80% das famílias endividadas, segundo o estudo “Mapa da Inadimplência do Brasil: 10 anos”, divulgado pela Serasa na última semana. A pesquisa aponta que, na última década, 22,7 milhões de novos consumidores se tornaram inadimplentes, o que acendeu alertas no governo para a criação de um novo programa de renegociação de dívidas.
Para o professor de economia do Ibmec Brasília, Renan Silva, grande parte da população tem usado o cartão de crédito como uma “extensão do salário” para manter despesas básicas, como alimentação e transporte. “O endividamento atual tem caráter predominantemente de manutenção do custo de vida”, afirma. Dados da Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da CNC, indicam que 85% das dívidas no país estão relacionadas ao uso do cartão.
Além dos juros do crédito, o mercado de apostas online tem agravado a situação financeira das famílias. Um estudo do Ibevar e da FIA Business School aponta que a compulsão por jogos tem impacto direto na economia, retirando recursos do consumo real e gerando um custo social estimado em bilhões de reais por ano. Silva alerta que quase metade da renda familiar já está comprometida com dívidas, afetando o consumo e o crescimento econômico.
O estudo da Serasa também revela mudanças no perfil do endividado. Pela primeira vez, as mulheres representam a maioria dos negativados, com 50,5%, refletindo a concentração de despesas essenciais como alimentação, saúde e educação. Idosos acima de 60 anos também têm se tornado um grupo mais vulnerável, com participação crescente no mapa da inadimplência e dívidas médias de cerca de R$ 7.200, muitas vezes acumuladas via crédito consignado para sustentar familiares.
Para especialistas, o cenário evidencia um ciclo persistente de vulnerabilidade financeira, impulsionado por renda instável, informalidade e baixa educação financeira. Sem mudanças estruturais, alertam, o padrão de endividamento tende a se repetir, limitando a capacidade das famílias de reorganizar suas finanças e sustentar o consumo de forma saudável.



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