Uma ofensiva da Polícia Federal do Brasil colocou MC Ryan SP e MC Poze do Rodo no centro de um inquérito que apura um suposto esquema de lavagem de dinheiro em larga escala. A operação, iniciada no último dia 15 de abril, avançou por oito estados e pelo Distrito Federal e terminou com a prisão dos artistas. Ryan, em Bertioga, no litoral paulista, e Poze, no Rio de Janeiro.
Entenda a prisão dos MCs Poze e Ryan SP
De acordo com os investigadores, o grupo utilizava rifas clandestinas e jogos ilegais como ponto de partida para gerar recursos. Em seguida, essas quantias entravam no sistema financeiro com aparência regular, misturadas a receitas vindas de shows, contratos musicais e publicidade nas redes sociais. Dessa forma, o dinheiro ilícito passava a circular com menor risco de detecção.
Engenharia financeira sob suspeita
As apurações descrevem uma engrenagem sofisticada. Em vez de movimentações diretas, o esquema fragmentava valores para reduzir rastros. Um dos exemplos levantados aponta que R$ 5 milhões se transformavam em centenas de transferências menores, muitas vezes próximas de R$ 10 mil. Assim, o fluxo financeiro se diluía em contas com alta movimentação, o que dificultava a identificação da origem.
De acordo com a Polícia Federal, esse modelo permitiu movimentar cerca de R$ 1,6 bilhão. Além disso, a visibilidade dos artistas teria ampliado o alcance do sistema, já que o grande número de seguidores impulsionava transações e facilitava a entrada de novos valores.
“Eles tinham um papel importante no esquema de lavagem de dinheiro. Eram eles que detinham as contas utilizadas para que o dinheiro obtido de maneira ilícita pudesse circular, pudesse se confundir com os recursos lícitos”, afirma Roberto Costa da Silva.
O delegado também destacou o papel das redes sociais nesse processo:
“As redes sociais são utilizadas para captar seguidores e isso impulsiona o fluxo financeiro nas contas que eles detêm, permitindo que outros recursos de origem ilícita também ingressem e gerem essa confusão”.
Origem da investigação e peças-chave
O caso ganhou força após uma apuração exibida pelo “Fantástico”, em maio de 2025, que já apontava indícios de irregularidades envolvendo rifas online. A partir dali, a investigação avançou e identificou um possível operador central: o contador Rodrigo Morgado.
De acordo com a PF, ele estruturava empresas, intermediava pagamentos e orientava estratégias patrimoniais. Além disso, atuava na conversão de valores, inclusive por meio de criptomoedas, o que ampliava a complexidade das operações.
Em uma troca de mensagens citada no inquérito, Morgado consulta Ryan sobre divulgação de uma casa de apostas: “Eu tenho um cliente aqui que tem uma casa de aposta e queria saber quanto que tá pra vc divulgar a casa dele”, perguntou Morgado para Ryan.
“Já que é seu amigo, eu cobro R$ 300 [mil]. Mas se não for muito seu amigo, pode falar que é R$ 400 [mil]”, respondeu o artista.
Ainda conforme a investigação, Ryan também teria recebido quantias milionárias em criptomoedas. Paralelamente, a PF identificou um elo entre São Paulo e Rio de Janeiro ligado a um sócio de Poze, o que reforça a hipótese de atuação integrada entre diferentes núcleos.

Bens apreendidos e desdobramentos
Nesta etapa da operação, agentes apreenderam bens avaliados em cerca de R$ 20 milhões. Além disso, os investigadores apontam que contas dos suspeitos registraram movimentações associadas a diferentes crimes, entre eles tráfico de drogas e infrações contra o sistema financeiro.
“Pelas contas dos investigados, passaram recursos de origem ilícitas de uma diversa gama de crimes, dentre os quais tráfico de drogas e crimes relacionados ao sistema financeiro, como apostas e jogos ilegais”, afirma o delegado Roberto Costa da Silva.
A apuração também menciona possíveis conexões com facções como o Primeiro Comando da Capital e o Comando Vermelho, o que amplia a gravidade do caso.
Em resposta, a defesa de Rodrigo Morgado sustenta que ele atua dentro da legalidade e afirma que pretende provar inocência. Já os advogados de MC Ryan SP e MC Poze do Rodo negam envolvimento em práticas ilícitas e defendem que todas as movimentações financeiras têm origem legítima.
Por: O Fuxico



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