PL rompe com Ibaneis Rocha no DF e propõe CPI para investigar fraudes do Banco Master envolvendo o BRB e contratos ligados ao governador.
O Partido Liberal rompeu politicamente com o governador do Distrito Federal, Ibaneis Rocha (MDB), e apresentou nesta terça-feira (10) um pedido de criação de uma Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) na Câmara Legislativa do Distrito Federal para investigar fraudes relacionadas ao Banco Master envolvendo o BRB.
A pressão pela investigação surgiu após a divulgação de um contrato entre o escritório de advocacia ligado a Ibaneis e um fundo da Reag Investimentos, empresa investigada no contexto das fraudes do Banco Master. Com isso, o governador passou a ser considerado o principal alvo do pedido de apuração no Legislativo do Distrito Federal.
Em nota, a defesa de Ibaneis afirmou que o governador está afastado do escritório de advocacia desde 2018 e que, por isso, não tem conhecimento sobre negociações realizadas posteriormente. “Ele está afastado do escritório de advocacia desde 2018, de modo que não possui informações sobre negociações realizadas quase seis anos após seu afastamento”, diz o comunicado.
A decisão de romper com o governador foi tomada pela presidente do PL no Distrito Federal, a deputada federal Bia Kicis, em conjunto com o deputado federal Alberto Fraga e os deputados distritais Joaquim Roriz, Thiago Manzoni e Roosevelt Vilela.
“Não dá mais para esperar. Quando aparecem indícios graves de desvio de recursos, temos obrigação de agir. CPI é instrumento de fiscalização, e esta se tornou inevitável”, afirmou Bia Kicis.
Com o rompimento, o PL também se aproxima de definir sua chapa majoritária para as eleições deste ano no Distrito Federal. A estratégia do partido é apoiar a atual vice-governadora Celina Leão (PP) para disputar o Governo do DF, enquanto Bia Kicis e a ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro devem concorrer ao Senado.
A crise política ganhou força após a Câmara Legislativa autorizar o Governo do Distrito Federal a realizar um aporte financeiro no BRB para cobrir prejuízos relacionados às operações com o Banco Master. Na votação, três deputados que integravam a base governista votaram contra a medida: Thiago Manzoni, Rogério Morro da Cruz (PRD) e João Cardoso (Avante).
Manzoni, que lidera a articulação pela CPI, afirmou que já apoiou o governo em outras pautas, mas demonstrou desconfiança em relação às informações apresentadas sobre as operações envolvendo o BRB e o Banco Master.
Paralelamente, parlamentares da oposição também pressionam o Supremo Tribunal Federal por uma investigação sobre o contrato do escritório de Ibaneis com a Reag. O deputado distrital Fábio Felix (PSOL) solicitou ao ministro André Mendonça, relator do caso na corte, apuração sobre possíveis relações comerciais entre o governador e fundos ligados ao Banco Master.
Segundo documento obtido pela imprensa, o escritório de advocacia de Ibaneis vendeu ao fundo Reag Legal Claims os direitos de recebimento de honorários no valor de R$ 38,13 milhões, equivalentes a 10% de uma condenação judicial. O pagamento estava relacionado a uma ação movida pelo Sindilegis contra a União, que resultou em uma condenação de R$ 381,3 milhões aos cofres federais.
De acordo com investigações da Polícia Federal, a Reag estaria envolvida em um esquema de fraude financeira atribuído ao ex-banqueiro Daniel Vorcaro.
A defesa de Ibaneis reiterou que o governador nunca participou de negociações com representantes da Reag. Segundo os advogados, todas as informações que ele possui sobre o grupo foram obtidas por meio de reportagens publicadas na imprensa neste ano.



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