Queda da Albânia na repescagem pode deixar a Copa de 2026 sem técnicos brasileiros pela primeira vez na história.
A eliminação da Albânia para a Polônia, nesta quinta-feira (26), em Varsóvia, pela semifinal da repescagem europeia, não apenas frustrou o sonho inédito do país de disputar uma Copa do Mundo, como também pode impactar diretamente o futebol brasileiro. Com a queda da equipe comandada por Sylvinho, cresce a possibilidade de o Mundial de 2026 ser o primeiro sem técnicos brasileiros na história.
Desde 1930, sempre houve ao menos um treinador brasileiro à frente de seleções em Copas do Mundo. A eventual ausência ocorre justamente na edição que contará com o maior número de participantes, ampliado de 32 para 48 equipes.
O técnico Paulo Autuori avaliou o cenário como reflexo de uma defasagem histórica na formação e atualização dos profissionais brasileiros. Segundo ele, o país demorou a reconhecer mudanças no futebol internacional. “A sensação era de que não precisávamos aprender nada por sermos pentacampeões. Ficamos para trás”, afirmou.
Autuori destacou ainda que a presença crescente de técnicos estrangeiros no Brasil e a possível ausência na Copa são consequências desse processo. Ele também defendeu maior abertura para intercâmbio e desenvolvimento de novos profissionais.
Historicamente, treinadores brasileiros tiveram presença marcante em seleções estrangeiras. Casos como Didi pelo Peru, Alexandre Guimarães pela Costa Rica e Luiz Felipe Scolari por Portugal reforçam essa tradição. O recordista é Carlos Alberto Parreira, com seis participações em Copas do Mundo por diferentes seleções.
Nos últimos anos, no entanto, essa presença diminuiu. Nas Copas mais recentes, o Brasil contou apenas com técnicos à frente da própria seleção, como Tite, eliminado nas quartas de final em duas edições consecutivas.
A própria CBF optou, em 2025, pela contratação do italiano Carlo Ancelotti para comandar a seleção brasileira, após resultados insatisfatórios com treinadores nacionais. Apesar de não ser o primeiro estrangeiro no cargo, nenhum dos anteriores chegou a disputar uma Copa do Mundo.
Para Paulo César Carpegiani, a escolha por um técnico estrangeiro reflete a busca por resultados diante de tentativas frustradas com brasileiros. Ele ressaltou que a ausência de treinadores do país no Mundial seria lamentada principalmente pelo trabalho desenvolvido por Sylvinho na Albânia.
O ex-lateral assumiu a seleção albanesa em 2023 e teve como principal feito a classificação para a Eurocopa, além de levar o país à primeira repescagem de sua história. Apesar da campanha competitiva, não conseguiu superar a Polônia e manter viva a chance de disputar a Copa.
Com isso, o cenário atual indica uma possível quebra de uma das mais longas tradições do futebol mundial, colocando em debate o futuro e a relevância dos técnicos brasileiros no cenário internacional.



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