Investigação da PF aponta esquema de fraude em concursos com acesso antecipado a provas e cobrança de até R$ 500 mil.
Um áudio obtido pela Polícia Federal revelou detalhes de um esquema de fraude em concursos públicos que envolvia acesso antecipado a provas e violação de envelopes. A investigação, divulgada pelo Fantástico no domingo (22), aponta a participação do servidor do Tribunal Regional Eleitoral da Paraíba, Waldir Luiz de Araújo Gomes.
No áudio, Waldir, conhecido como “Mister M”, explica como burlava a segurança dos materiais de prova. Segundo ele, o lacre dos envelopes podia ser rompido e recolocado sem deixar vestígios, permitindo o acesso antecipado às respostas. O servidor trabalhou na Cesgranrio, responsável pelo Concurso Nacional Unificado, antes de ingressar no TRE-PB.
As investigações indicam que o esquema utilizava diversos métodos para fraudar os certames, incluindo pontos eletrônicos, fotografias de cadernos de questões e a contratação de pessoas para realizar provas no lugar de candidatos inscritos. De acordo com a PF, os valores cobrados variavam conforme o cargo e podiam chegar a R$ 500 mil.
O caso teve início após uma denúncia anônima que levou ao ex-policial militar Wanderlan Limeira de Sousa, no município de Patos. Ele e dois familiares foram aprovados no CNU de 2024 para o cargo de auditor fiscal do trabalho, com remuneração superior a R$ 22 mil.
Durante a apuração, a polícia encontrou no celular de Larissa Neves áudios que ajudaram a esclarecer o funcionamento da organização criminosa. As investigações também apontam Thyago José de Andrade como responsável por recrutar funcionários de instituições organizadoras de concursos em todo o país.
Na última semana, a Polícia Federal cumpriu mandados de prisão nos estados de Alagoas, Paraíba e Pernambuco. Dois professores suspeitos de resolver provas para candidatos foram presos.
O delegado-geral de Alagoas, Gustavo Xavier do Nascimento, também foi alvo de mandado de busca e apreensão. O caso segue sob investigação das autoridades federais.



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