Pesquisa do IBGE aponta que 8,8% dos estudantes já sofreram violência sexual e revela queda na educação sexual nas escolas.
Dados da Pesquisa Nacional de Saúde Escolar (PeNSE), divulgados nesta quarta-feira (25) pelo IBGE, mostram que 8,8% dos estudantes brasileiros de 13 a 17 anos afirmam já ter sido forçados a ter relação sexual, o que representa mais de 1,1 milhão de adolescentes. O índice é superior ao registrado em 2019 e acende alerta para o aumento da violência sexual entre jovens.
O percentual atual é 2,5 pontos percentuais maior do que o registrado há cinco anos, quando 6,3% dos estudantes relataram esse tipo de violência. O crescimento ocorre em paralelo à redução no acesso à educação sexual nas escolas. Entre 2019 e 2024, houve queda superior a 10 pontos percentuais no número de alunos que receberam orientações sobre prevenção de gravidez, HIV e outras infecções sexualmente transmissíveis.
A pesquisa, considerada o principal levantamento nacional sobre saúde e comportamento de adolescentes, coletou dados de mais de 118 mil estudantes de escolas públicas e privadas em 1.282 municípios. Os questionários foram respondidos de forma sigilosa, abordando hábitos, atitudes e fatores de risco.
Segundo os pesquisadores, o aumento dos relatos de violência é preocupante, especialmente porque muitos casos podem não ter sido denunciados. A maioria das vítimas (66,2%) tinha 13 anos ou menos quando sofreu a agressão.
Os dados também revelam desigualdades entre os grupos. Entre meninas, 11,7% disseram já ter sido forçadas a ter relação sexual, mais que o dobro do índice entre meninos (5,8%). A incidência também é maior na rede pública (9,3%) em comparação com a rede privada (5,7%). Regionalmente, o Norte registra a maior taxa, com 11,7%.
Outro dado relevante é o perfil dos agressores: em grande parte dos casos, são pessoas próximas às vítimas, como familiares (35,5%) ou parceiros e ex-parceiros (22,6%). Autores desconhecidos foram citados por 23,2% dos adolescentes.
Além da violência sexual, 18,5% dos estudantes relataram já ter sofrido assédio, como toques, beijos ou exposição do corpo sem consentimento, índice superior ao de 2019 (14,7%). Entre meninas, o percentual chega a 26%, enquanto entre meninos é de 10,9%.
Especialistas apontam que a falta de educação sexual nas escolas dificulta a identificação de situações de abuso e o acesso a ajuda. Também destacam que o ambiente escolar pode ser essencial para acolhimento, especialmente quando a violência ocorre dentro do círculo familiar.
A pesquisa ainda mostra mudanças no comportamento sexual dos jovens. O percentual de adolescentes que já iniciaram a vida sexual caiu para 30,4% em 2024, frente a 35,4% em 2019 e 37,5% em 2015. No entanto, entre os que já tiveram relações, 36,8% afirmaram ter iniciado antes dos 13 anos.
Outro ponto de atenção é a redução no uso de preservativos. Em 2024, 61,7% dos jovens usaram camisinha na primeira relação sexual, leve queda em relação a 2019. Na última relação, o índice caiu de 59,1% para 57,2%, indicando diminuição da proteção ao longo do tempo.
Entre as adolescentes, 42,1% relataram já ter utilizado a pílula do dia seguinte ao menos uma vez. O levantamento também aponta que cerca de 121 mil meninas entre 13 e 17 anos já engravidaram, o equivalente a 7,3% das que tiveram relação sexual, sendo a maioria da rede pública.
Os dados evidenciam um cenário de aumento da violência sexual aliado à redução de políticas educativas nas escolas, o que, segundo especialistas, pode ampliar os riscos e dificultar a proteção dos adolescentes.



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