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7.2.26

Coreia do Norte pune consumo de cultura sul-coreana com execuções

 Anistia Internacional denuncia execuções e trabalhos forçados na Coreia do Norte por consumo de dramas e músicas da Coreia do Sul.

Cidadãos da Coreia do Norte, incluindo adolescentes, vêm sendo submetidos a punições extremas por consumir produtos culturais da Coreia do Sul. Segundo denúncia divulgada pela Anistia Internacional no dia 4 de fevereiro, o regime de Pyongyang aplica sanções que vão desde execuções públicas e envio a campos de trabalho forçado até humilhações coletivas.

De acordo com a organização, o consumo de dramas sul-coreanos e músicas estrangeiras é tratado como crime grave pelo governo norte-coreano. Séries populares como Crash Landing on You, Descendants of the Sun e o fenômeno global Round 6 (Squid Game) estariam entre os conteúdos que motivaram repressões severas. Ouvir músicas de grupos de K-pop, como o BTS, também pode resultar em punições.

Relatos reunidos pela Anistia descrevem um ambiente de medo constante, no qual “a cultura sul-coreana é tratada como um crime sério”. Uma das testemunhas afirmou ter ouvido de um desertor que estudantes do ensino médio foram executados na província de Yanggang por assistirem a Round 6. A informação coincide com reportagens anteriores da Radio Free Asia, que já havia noticiado execuções semelhantes na província vizinha de Hamgyong do Norte.

“Analisados em conjunto, esses relatos de regiões diferentes indicam múltiplas execuções relacionadas ao consumo de séries sul-coreanas”, afirma a Anistia Internacional.

Os depoimentos indicam que as execuções são usadas como instrumento de intimidação coletiva. Choi Suvin relatou que, ainda menor de idade, foi obrigada a assistir à execução de uma pessoa acusada de distribuir conteúdos estrangeiros, diante de milhares de moradores da cidade de Sinuiju.

“As autoridades mandaram todo mundo ir. Eles executam pessoas para nos doutrinar e nos educar”, afirmou.

Kim Eunju, hoje com 40 anos, contou ter vivido experiências semelhantes na adolescência. “Quando tínhamos 16 ou 17 anos, eles nos levavam para ver execuções. As pessoas eram mortas por assistir ou distribuir conteúdo sul-coreano. A mensagem era clara: se você fizer isso, acontecerá o mesmo com você.”

Apesar da repressão, os relatos indicam que o consumo desses conteúdos é amplamente conhecido, inclusive entre integrantes do próprio regime. Segundo um entrevistado, trabalhadores, membros do partido, agentes de segurança e policiais assistem a produções estrangeiras de diferentes formas, algumas abertamente e outras de maneira clandestina.

As punições, no entanto, variam conforme a condição financeira e as conexões familiares do acusado. Pessoas detidas pelo chamado “Grupo 109”, uma unidade policial especializada em fiscalizações sem mandado, frequentemente só conseguem evitar punições mais severas mediante pagamento de propina.

“Quem não tem dinheiro chega a vender a própria casa para pagar entre cinco mil e dez mil dólares e sair de um campo de reeducação”, relatou Suvin.

Kim Joonsik, de 28 anos, afirmou ter sido flagrado três vezes assistindo a dramas sul-coreanos antes de fugir do país, em 2019, sem sofrer punição formal. Segundo ele, o fator decisivo foi a rede de contatos da família. Em contraste, três amigas de sua irmã foram condenadas a anos de trabalho forçado por não terem recursos para subornar autoridades.

A repressão é respaldada por legislação aprovada em 2020. A Lei de Pensamento e Cultura Antirreacionários classifica produtos culturais sul-coreanos como “ideologia corrupta” e prevê penas de cinco a 15 anos de trabalho forçado para quem consome ou possui esse tipo de conteúdo. Em casos considerados mais graves, como distribuição em larga escala ou exibições coletivas, a punição pode chegar à pena de morte.

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