Polícia Civil investiga ex-diretor do São Paulo por abertura de empresas e saques milionários; clube é tratado como vítima no inquérito.
A investigação policial envolvendo o São Paulo Futebol Clube teve um novo desdobramento com a inclusão de Nelson Marques Ferreira, ex-diretor adjunto de futebol do clube, como alvo do inquérito conduzido pela Polícia Civil. O caso veio a público em reportagem exibida pelo programa Fantástico no último domingo.
Conhecido como Nelsinho, Nelson Marques Ferreira ocupou o cargo de diretor adjunto de futebol do São Paulo entre 2021 e 2025. Ele deixou a função em novembro do ano passado, após a goleada por 6 a 0 sofrida para o Fluminense. A investigação aponta que, durante o período em que esteve no cargo, o ex-dirigente abriu 15 empresas.
O inquérito também analisa 35 saques realizados entre janeiro de 2021 e dezembro de 2025, que somam R$ 11 milhões, conforme relatório do Conselho de Controle de Atividades Financeiras (COAF). A apuração busca identificar se há relação entre a criação das empresas e possíveis desvios de recursos das contas do clube.
Segundo o delegado Tiago Fernando Correia, responsável pela investigação, a denúncia aponta para desvios estruturados e sistemáticos no âmbito do São Paulo. Ele afirmou que o clube é tratado como vítima e que o foco é esclarecer a destinação do dinheiro sacado em espécie e para quem os valores eram entregues.
A defesa do presidente do clube, Julio Casares, negou qualquer vínculo entre os saques realizados nas contas do São Paulo e depósitos em espécie na conta pessoal do mandatário, que totalizariam R$ 1,5 milhão. De acordo com o advogado Bruno Borragine, os valores depositados teriam origem lícita e seriam fruto de recursos pessoais acumulados ao longo dos anos.
Já o advogado Pedro Ivo Iokoi, que representa o São Paulo, afirmou que os saques em dinheiro tinham como finalidade o pagamento de despesas do próprio clube, como arbitragem e premiações conhecidas como “bicho”, especialmente em dias de jogos. Segundo ele, todos os valores estariam devidamente contabilizados nos balanços da instituição.
Paralelamente à investigação, um pedido de impeachment de Julio Casares foi protocolado pelo grupo de conselheiros “Salve o Tricolor Paulista”, com base em artigos do Estatuto Social do clube. O grupo reuniu 57 assinaturas, incluindo 13 de conselheiros ligados à situação.
A votação do pedido de impeachment está marcada para esta sexta-feira, às 18h30 (horário de Brasília), nas dependências do Morumbis. O ambiente político no clube se intensificou após a divulgação dos recentes escândalos.





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