Estudo aponta que 43% dos incêndios florestais mais devastadores ocorreram nos últimos 10 anos, ligados a secas extremas e mudanças climáticas.
Quase metade dos incêndios florestais mais destrutivos ocorreu na última década
Um novo estudo internacional revela que o tamanho dos desastres causados por incêndios florestais disparou desde 2015, com quase metade dos eventos mais devastadores registrados nos últimos dez anos. Pesquisadores apontam forte relação entre a magnitude desses incêndios e a frequência crescente de condições extremas de seca e vento, muito provavelmente ligadas à emergência climática global.
As regiões mais afetadas incluem áreas de clima mediterrâneo, como Portugal, Espanha e Grécia, e regiões temperadas com florestas de coníferas, como oeste da América do Norte e sul da Austrália. Por outro lado, biomas de savana tropical, incluindo o Cerrado brasileiro, apresentam risco relativamente menor de desastres graves, embora não estejam totalmente isentos de perigo.
Dados e metodologia do estudo
O estudo, coordenado por Callum Cunningham, da Universidade da Tasmânia, e publicado na revista Science, contou com pesquisadores australianos, americanos e da multinacional de seguros Munich Re. A seguradora contribuiu com seu banco de dados global sobre desastres, que foi combinado com informações do Centro de Pesquisa sobre a Epidemiologia de Desastres, da Bélgica.
Os pesquisadores analisaram incêndios de acordo com dois critérios principais: aqueles que causaram dez ou mais mortes e os que figuraram entre os 200 maiores em prejuízos econômicos, considerando o PIB do país no momento da catástrofe.
Entre 1980 e 2023, a frequência desses eventos aumentou 4,4 vezes, os prejuízos econômicos globais cresceram cinco vezes e os desastres com dez ou mais mortes ficaram três vezes mais frequentes, superando o ritmo de crescimento populacional mundial, que foi de 1,8 vez.
Por que algumas regiões são menos afetadas
Cunningham explica que áreas de savana do Brasil, da África e do norte da Austrália apresentam risco menor porque os incêndios nesses ambientes normalmente não atingem grande intensidade energética. O fogo mais frequente evita acúmulo de material combustível, enquanto ventos extremos, que potencializam incêndios, tendem a ocorrer fora dos trópicos.
"Nosso trabalho mostra que o risco de desastres é mais alto onde os incêndios intensos surgem em áreas densamente povoadas", afirmou o pesquisador.
Estratégias para reduzir riscos futuros
O estudo destaca que, além da redução das emissões de gases do efeito estufa, é necessário considerar características locais de cada ambiente para prevenir catástrofes. Entre as medidas sugeridas estão o controle do acúmulo de material combustível e o reaprendizado de técnicas de queima controlada, historicamente usadas por povos originários na Austrália e na América do Norte antes da colonização.



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