Deputados aprovam urgência de anistia a condenados por atos golpistas. Tema seguirá direto ao plenário, em derrota para o governo Lula.
A Câmara dos Deputados aprovou na noite desta quarta-feira (17) um requerimento de urgência para o projeto que trata da anistia a condenados pelos atos golpistas de 8 de janeiro. Com a decisão, a proposta segue diretamente para análise em plenário, sem passar pelas comissões.
Foram 311 votos favoráveis, contra o mínimo necessário de 257, em apoio ao texto apresentado pelo deputado Marcelo Crivella (Republicanos-RJ), com respaldo de partidos do centrão. O governo Lula trabalhou para barrar a pauta, mas sofreu derrota política.
Nos bastidores, discute-se se a votação resultará em uma anistia ampla, que poderia alcançar até o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), ou em uma proposta alternativa de redução de penas, negociada com setores do STF, que evitaria o cumprimento de prisão em regime fechado.
A aprovação da urgência foi interpretada como um gesto da cúpula da Câmara à oposição bolsonarista. O movimento ganhou força com a articulação do governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), que esteve em Brasília para pressionar o presidente da Casa, Hugo Motta (Republicanos-PB).
Durante a sessão, o tema dividiu os parlamentares. Deputados da esquerda entoaram o coro de “sem anistia”, enquanto bolsonaristas celebraram o que classificaram como um “dia histórico”. O líder do PT, Lindbergh Farias (RJ), criticou a medida e disse que os favoráveis seriam “cúmplices de um golpe continuado”. Já o líder do PL, Sóstenes Cavalcante (RJ), agradeceu a condução de Motta e afirmou que os julgamentos contra Bolsonaro e seus aliados foram “injustos e políticos”.
Segundo pesquisa Datafolha, divulgada dias antes da votação, 54% da população é contra a anistia, enquanto 39% a defendem.
Com a urgência aprovada, caberá agora à Câmara definir o mérito da proposta, ainda sem texto consolidado e data para votação. O debate deve expor novamente as divergências entre bolsonaristas, centrão e governo, que tentam construir um substitutivo capaz de obter maioria no plenário.



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