Deputados bolsonaristas querem anistia total, incluindo Bolsonaro, e veem com desconfiança relator Paulinho da Força, que defende apenas redução de penas.
Deputados bolsonaristas defendem uma anistia ampla para condenados pelos atos golpistas de 8 de Janeiro, incluindo o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), e demonstram desconfiança em relação ao relator do projeto, Paulinho da Força (Solidariedade-SP), que sinalizou trabalhar por redução de penas, e não por perdão total.
Escolhido como relator do projeto de anistia, Paulinho da Força declarou nesta quinta-feira (18) que seu texto buscará um “meio-termo”, focado na redução de penas e em sintonia com o Senado e o STF. O deputado tem histórico de proximidade com ministros da Corte, especialmente Alexandre de Moraes, além de já ter apoiado o presidente Lula (PT) e atuado no sindicalismo, fatores que alimentam a desconfiança dos bolsonaristas.
Apesar do receio, lideranças do PL afirmam acreditar em diálogo com o relator. O grupo, porém, insiste que o texto a ser levado ao plenário deve prever o perdão a todos os condenados por crimes contra o Estado democrático de Direito, incluindo Bolsonaro, condenado a 27 anos de prisão. Caso Paulinho mantenha apenas a proposta de redução de penas, os parlamentares pretendem apresentar emendas ou destaques para tentar aprovar a anistia total.
Na quarta-feira (17), a aprovação da urgência do projeto, com 311 votos favoráveis, animou os deputados do PL. Como a votação final exige apenas maioria simples, os aliados de Bolsonaro veem chance de avançar com a proposta.
Parlamentares de partidos como União Brasil, PP, Republicanos e PSD, no entanto, indicam apoio apenas à redução de penas. Essas legendas já se movimentam em torno da candidatura presidencial de Tarcísio de Freitas (Republicanos) e avaliam que um texto que alivie as condenações seria suficiente para atrair o apoio do ex-presidente.
Nas redes sociais, o líder do PL, deputado Sóstenes Cavalcante (RJ), afirmou que cabe ao Congresso conceder anistia, não reduzir penas, posição reforçada por colegas como Zé Trovão (PL-SC) e Domingos Sávio (PL-MG). Já o deputado Marcel Van Hattem (Novo-RS) defendeu uma “anistia total”, inclusive para Bolsonaro, para encerrar o tema antes das eleições presidenciais de 2026.
Embora evitem ataques diretos a Paulinho da Força, os bolsonaristas mantêm a estratégia de pressão para ampliar o alcance do projeto. A votação final será o teste de força entre a proposta de redução de penas defendida pelo relator e o pedido de anistia irrestrita liderado pela bancada do PL.
Por Redação



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