Ataque russo com 598 drones e 31 mísseis matou 21 em Kiev, atingiu missão da UE e elevou pressão internacional contra Moscou.
As forças da Rússia lançaram na madrugada desta quinta-feira (28) o ataque mais mortífero contra Kiev desde as tentativas de Donald Trump de aproximar Vladimir Putin e Volodimir Zelenski. Ao menos 21 pessoas morreram e 45 ficaram feridas. A ofensiva atingiu inclusive a missão da União Europeia na capital ucraniana.
Segundo autoridades ucranianas, o ataque envolveu 598 drones e 31 mísseis, incluindo modelos hipersônicos Kinjal, balísticos Iskander-M e de cruzeiro Kh-101 e Kalibr. A maior parte foi direcionada contra Kiev, mas outras 12 regiões também foram atingidas, deixando milhares sem energia elétrica.
O presidente Volodimir Zelenski acusou Moscou de rejeitar negociações e pediu novas sanções: “A Rússia escolhe mísseis balísticos em vez da mesa de negociação”.
O Kremlin, por meio de Dmitri Peskov, afirmou que os alvos eram militares e ligados à infraestrutura energética, reiterando interesse em negociações, mas sem abrir mão da ofensiva. Uma fábrica de drones da empresa turca Bayraktar foi danificada, enquanto áreas residenciais também foram atingidas.
Kiev disse ter derrubado 589 alvos, sem detalhar quantos eram mísseis. Vídeos mostraram o uso do novo drone kamikaze russo, mais rápido que os modelos anteriores. No oeste do país, 60 mil pessoas ficaram sem energia, e um entroncamento ferroviário foi atingido.
Repercussão internacional:
O ataque gerou forte reação internacional. Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, pediu o fim dos bombardeios indiscriminados. António Guterres, secretário-geral da ONU, Emmanuel Macron e Keir Starmer também condenaram Moscou. O secretário-geral da Otan, Mark Rutte, disse que o episódio prova que “não se pode ser ingênuo em relação à Rússia”.
A Casa Branca, por sua vez, reagiu de forma moderada. A porta-voz de Trump, Karoline Leavitt, afirmou que o republicano “não ficou feliz, mas não está surpreso” com a escalada.
Escalada do conflito:
Em paralelo, a Ucrânia atingiu pela primeira vez em meses um navio russo no mar de Azov, uma corveta da classe Buian-M, usada para lançar mísseis Kalibr. Moscou não confirmou os danos.
A Rússia também relatou ter derrubado 102 drones em sete regiões. Kiev e redes sociais apontaram ataques a refinarias russas, agravando a crise de combustíveis no país, que já levou ao banimento temporário das exportações de gasolina.
Contexto diplomático:
O ataque ocorre em meio ao impasse nas negociações de paz mediadas por Donald Trump. Após encontros separados com Putin e Zelenski, o ex-presidente dos EUA anunciou uma possível reunião entre os dois líderes, mas Moscou tem recusado, alegando ilegitimidade do governo ucraniano.
Trump ameaça impor novas sanções à Rússia, incluindo tarifas sobre países que importam petróleo russo, medida que afetaria principalmente a China, a Índia e até o Brasil, que depende do diesel de Moscou.
Este foi o segundo maior ataque russo desde o início da guerra, intensificando a pressão internacional sobre Moscou e colocando novos obstáculos no já frágil caminho das negociações por uma paz duradoura.
Por Redação



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