Rússia e China realizam exercício naval contra submarinos dias após ameaça de Trump, em meio a tensões envolvendo a Guerra da Ucrânia.
Forças navais da Rússia e da China realizaram nesta quarta-feira (6), no mar do Japão, uma simulação de caça e destruição de submarinos, dias após o ex-presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, ameaçar Moscou com o envio de duas embarcações nucleares. A ação integra uma manobra naval anual iniciada no domingo (3), em meio à crescente tensão entre os aliados asiáticos e os EUA.
O exercício conjunto envolveu helicópteros, aviões de patrulha Il-38 da Rússia e a aeronave antissubmarino Y-8 da China. Segundo nota da Frota do Pacífico russa, responsável pela operação, "o submarino inimigo foi detectado e destruído na simulação".
Apesar de ser anunciada como uma ação defensiva previamente agendada, a atividade militar ocorreu em um momento de agravamento nas relações entre os três países. Na sexta-feira (1º), Trump declarou que deslocaria dois submarinos nucleares como resposta a declarações de Dmitri Medvedev, ex-presidente russo e atual aliado da linha-dura do Kremlin.
Medvedev havia reagido à fala de Trump sobre a "economia morta" da Rússia, fazendo referência ao sistema Perímetro — também conhecido como "Mão Morta" — que permite a retaliação nuclear automática caso a Rússia seja atacada de forma devastadora. Após o comentário, Trump fez a ameaça imprecisa sobre o envio das embarcações nucleares, sem esclarecer se estariam armadas com ogivas atômicas.
A Frota do Pacífico informou que, após o fim do exercício, uma força conjunta de navios russos e chineses seguirá em patrulha pelo Oceano Pacífico. A cooperação militar entre Moscou e Pequim tem se intensificado nos últimos anos, sobretudo após a aliança estratégica firmada entre Vladimir Putin e Xi Jinping em fevereiro de 2022, às vésperas da invasão da Ucrânia.
Missões conjuntas com bombardeiros nucleares e operações navais têm se tornado recorrentes. O estreitamento da parceria preocupa países do Ocidente. A Otan já manifestou receio de uma possível ação militar conjunta entre Rússia e China, e o Pentágono especula a participação da Coreia do Norte, que possui cerca de 50 ogivas nucleares.
Com o cenário geopolítico cada vez mais tenso, o exercício militar reforça a aliança estratégica entre Rússia e China e aumenta a preocupação de países ocidentais sobre uma possível escalada envolvendo armas nucleares.
Por Redação



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