Paulo Cunha Bueno, advogado de Bolsonaro, nega ter buscado acesso à delação de Mauro Cid. STF apura possível obstrução de investigação.
O advogado Paulo Amador Cunha Bueno, que integra a equipe de defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), negou ao Supremo Tribunal Federal (STF) qualquer tentativa de obter detalhes da delação premiada do tenente-coronel Mauro Cid. A negativa foi apresentada após determinação do ministro Alexandre de Moraes, que solicitou à Polícia Federal o depoimento de Cunha Bueno e de Fábio Wajngarten — também ex-advogado e ex-assessor de Bolsonaro.
A decisão do ministro foi baseada em relatos apresentados por Mauro Cid e seus familiares, que apontam para uma suposta tentativa de obstrução de investigação relacionada a organização criminosa.
Segundo a defesa de Cid, a mãe do militar, Agnes Barbosa Cid, teria sido abordada na Sociedade Hípica Paulista por Luiz Eduardo Kuntz — advogado que alega ter recebido mensagens de Cid sobre a colaboração — e por Cunha Bueno. Ambos teriam pressionado a mãe do tenente-coronel para que ele abandonasse sua defesa original.
Em resposta ao STF, Cunha Bueno confirmou que foi apresentado a Agnes durante um evento na Hípica, mas negou que tenha abordado o tema da delação. Segundo ele, o encontro foi breve, amigável e limitado a elogios à neta de Agnes por seu desempenho na equitação.
Na petição entregue ao Supremo, o advogado também detalhou sua relação com Mauro Cid, afirmando que o conheceu em março de 2023, logo após assumir a defesa de Bolsonaro no caso das joias recebidas da Arábia Saudita. À época, Cid liderava a Ajudância de Ordens, setor responsável por parte do processo de recebimento e catalogação de presentes oficiais.
De acordo com Cunha Bueno, os contatos entre os dois foram esporádicos e cessaram após a prisão de Cid, em maio de 2023. O último encontro teria ocorrido apenas em junho deste ano, durante uma sessão de interrogatórios sobre a trama golpista, limitado a um cumprimento com um gesto de cabeça.
A defesa de Bueno acusa Cid de tentar reverter sua posição perante o Judiciário após indícios de violação do acordo de colaboração firmado com a Polícia Federal.
No mesmo caso, o coronel da reserva Marcelo Câmara, ex-assessor de Bolsonaro e réu na investigação da tentativa de golpe, foi preso em 18 de junho. A prisão foi determinada após o advogado Luiz Eduardo Kuntz apresentar ao STF mensagens e áudios que teriam sido trocados entre Câmara e Mauro Cid, abordando conteúdos ligados à delação.
Moraes destacou que Marcelo Câmara descumpriu medidas cautelares que o proibiam de manter contato com outros investigados, inclusive por meio de terceiros.
Por Redação



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