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29.7.20

Estudante picado por naja é preso no DF por suspeita de crime ambiental

Pedro Krambeck, de 22 anos, é investigado em suposto esquema de tráfico de animais. Segundo Polícia Civil, há indícios de que ele também tentou atrapalhar investigação.

Pedro Henrique Krambeck, jovem que foi picado por naja, no DF, é preso pela Polícia Civil (Foto: TV Globo/Reprodução)
O estudante de veterinária Pedro Henrique Krambeck, picado por uma cobra naja no início de julho, foi preso pela Polícia Civil do Distrito Federal na manhã desta quarta-feira (29). O jovem, de 22 anos, é suspeito de crime ambiental e de tentar atrapalhar as investigações. O G1 tenta contato com a defesa.
A prisão é temporária, ou seja, tem validade de cinco dias e pode ser prorrogada por igual período. A medida faz parte da quarta fase da Operação Snake, que investiga esquema de tráfico de animais. Na semana passada, o amigo de Pedro, Gabriel Ribeiro de Moura, de 24 anos, também foi detido por suposta tentativa de ocultar provas de crimes, sendo apontado como o responsável por esconder serpentes do colega (saiba mais abaixo).
De acordo com as investigações, Pedro criava a naja em casa e teria ainda a posse de outras cobras exóticas, sem autorização do Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis (Ibama). O jovem, que chegou a ficar em coma, recebeu alta no dia 13 de julho, mas apresentou um atestado médico e só prestaria depoimento em agosto.
Pedro foi detido na própria residência, no Guará, por equipe da 14ª Delegacia de Polícia (Gama), responsável pelas investigações. A Polícia Civil afirma que um perito médico-legista acompanhou o cumprimento do mandado de prisão para verificar as condições de saúde do jovem.
Em 16 de julho, o Instituto Brasileiro de Meio Ambiente e Recursos Renováveis (Ibama) informou que o estudante foi multado em R$ 81,3 mil por também dificultar a ação do órgão, manter animais nativos e exóticos em locais inapropriados e sem autorização, além de maus-tratos.
Cobra Naja que picou estudante em Brasília faz ensaio fotográfico no zoológico — Foto: Ivan Mattos/Zoológico de Brasília
Investigação
A apuração foi iniciada após Pedro ser picado pela naja no dia 7 de julho. Ele ficou seis dias internado em um hospital particular do DF, sendo cinco em uma Unidade de Terapia Intensiva (UTI).
O jovem teve que tomar soro antiofídico do Instituto Butantan, em São Paulo, único local que possuía o antídoto no país, para fins de pesquisa, já que a espécie não é da fauna brasileira, nativa da África e da Ásia e considerada uma das espécies mais venenosas do mundo.
Segundo a Polícia Civil, o estudante criava a cobra em casa ilegalmente e seria o proprietário de pelo menos outras 16 serpentes. Nas redes sociais, Pedro compartilhava fotos com os animais.
Familiares do jovem já prestaram depoimento à corporação. Entre eles, o padrasto, que é tenente-coronel Eduardo Condi, da Polícia Militar do Distrito Federal.
A naja foi encontrada um dia após a picada, dentro de uma caixa, nas proximidades de um shopping no Lago Sul. Na mesma semana, as outras 16 cobras foram localizadas em um haras, em Planaltina. De acordo com as investigações, os animais foram escondidos por Gabriel Ribeiro, amigo de Pedro.
Gabriel foi detido no dia 22 de julho. No último sábado (26), o 1º Juízo Criminal do Gama prorrogou a prisão temporária por mais cinco dias. Ele é suspeito de participar do esquema criminoso. Outros dois estudantes amigos do Pedro também prestaram depoimento, mas não chegaram a ser presos.
Nas últimas semanas, a Polícia Civil intensificou as investigações sobre a criação ilegal de espécies exóticas no DF. Segundo a corporação, o caso da naja revelou um esquema de tráfico de animais com prováveis ramificações internacionais.
Nesta última quinta (23), uma servidora do Ibama foi afastada das funções por suspeita de envolvimento no esquema. Antes disso, em 17 de julho, um outro funcionário do órgão já havia sido suspenso pelo mesmo motivos.

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