Teve aposentadoria surpresa, equipe entrando em processo de falência e dirigente de alto escalão que durou menos que muito estagiário por aí. A transição de 2016 para 2017 reservou um número acima da média de despedidas na F1
2016 acabou sendo um ano de muitas despedidas na F1. Bem, todas as
temporadas trazem sua dose de idas e vindas, mas a última reservou uma
superdosagem nas reviravoltas. Teve aposentadoria surpresa, equipe
entrando em processo de falência e dirigente de alto escalão que durou
menos que muito estagiário por aí.
Se 2017 deve reservar uma reviravolta nos carros – 5s mais rápidos por
volta, em teoria –, os bastidores da F1 também vão ter sua dose de
mudanças. Grandes equipes optaram por rever cargos de chefia, tentando
dar um jeito de superar um momento ruim. Também é uma boa hora para
trocar pilotos que vão vinham rendendo muito bem. A verdade é que o novo
regulamento, justamente por, de certa forma, ‘resetar’ a divisão de
forças da F1, traz um ótimo momento para fazer mudanças necessárias.
Assim, o GRANDE PRÊMIO aproveita o início do ano para refletir sobre ausências que serão sentidas no paddock da F1 em 2017.
10º) Jost Capito
A lista se inicia com um nome que durou pouco tempo na F1. Capito
abandonou a Volkswagen no WRC para virar diretor-executivo da McLaren,
cargo que só assumiu efetivamente em setembro. A equipe britânica tinha
um planejamento ao longo prazo e Jost era tido como um nome importante
na volta às glórias.
Acontece que Capito durou menos que muito estagiário por aí. Em dezembro, meros 11 meses após o anuncio da chegada, o dirigente foi varrido da McLaren.
A saída faz sentido: o alemão foi indicado por Ron Dennis, que havia
caído poucas semanas antes. Sem apoio, Jost foi presa fácil em uma
escuderia que não é conhecida internacionalmente por ser benevolente.
| Fréderic Vasseur foi escolhido pela Renault para chefiar a equipe na F1. Por 11 meses (Foto: Getty Images) |
9º) Frédéric Vasseur
O nono item desta lista é outro dirigente de equipe grande que não
completou um ano de carteira assinada. Vasseur, valorizado por conta do
sucesso com a ART nas categorias de base, passou a ser um bom nome para a
renascida Renault. Mesmo sem qualquer experiência na F1, Frédéric
assumiu como chefe de equipe.
Acontece que a Renault sofre de um problema sério. Não, não estou
falando de falta de potência no motor ou de ter Jolyon Palmer ao
volante. Estou falando de ter muito macaco para pouco galho. Cyril
Abiteboul ocupava outro cargo de chefia, bastante semelhante, e também
havia Jerome Stroll, presidente de gestão esportiva da Renault. Isso
tudo para uma equipe que mal consegue pontuar direito.
É evidente que, sob pressão, a corda rompeu no lado mais fraco: Vasseur, que nem completou um ano no cargo, foi mandado para a rua em meio ao processo de reformulação dos franceses.
8º) Pat Symonds
Pronto, finalmente achamos alguém que durou mais de um ano no cargo.
Pat Symonds, afastado da F1 por conta do inesquecível escândalo do GP de
Singapura de 2008, recuperou a fama ao assinar com a emergente Williams
no final de 2013. Symonds foi fundamental no crescimento da equipe, que
tirou proveito da mudança de regulamento de 2014 para brigar por pódios
com certa frequência. Na condição de diretor-técnico, Pat estava
fazendo um belo trabalho.
Acontece que os anos passaram e a Williams foi ficando para trás. 2016
foi um pesadelo: a equipe fechou o ano atrás da Force India, pontuando
com dificuldade.
Não por acaso, Symonds perdeu o emprego.
Às vésperas de uma nova mudança de regulamento, a equipe achou uma boa
dar outra chacoalhada nos cargos. O substituto ainda não foi anunciado,
mas tudo indica que Paddy Lowe, agora ex-Mercedes, será oficializado nos
próximos dias.
7º) Herbie Blash
Esse aqui não ficou nem um, nem dois, nem três anos no cargo. Blash é
um verdadeiro dinossauro da F1, ocupando o cargo de vice-diretor de
provas da FIA desde 1995. Mas a relação com a categoria é muito mais
longeva: Herbie foi mecânico da Rob Walker em 1965 (!!!). De lá, passou
por Lotus e Brabham – nesta última, conheceu Bernie Ecclestone, o que
foi fundamental para seu crescimento no lado administrativo do esporte.
Acontece que a idade sempre acaba batendo. Blash já é um senhor de 67 anos e acabou tomando a decisão de abandonar o posto, abrindo caminho para o substituto Laurent Mekies. É um nome que vai fazer falta, ao contrário de...
| Herbie Blash (direita) vai deixar o cargo ao fim da temporada 2016 da F1 (Foto: Getty Images) |
6º) Esteban Gutiérrez
É, Gutiérrez não foi lá um cara de muito sucesso na F1. O mexicano
desapontou desde o início. Na estreia em 2013, levou uma sova memorável
de Nico Hülkenberg. Em 2014, afundou junto com a Sauber e perdeu o
emprego. Uma travessura do destino permitiu que o monocelha voltasse ao
grid em 2016, através da promissora Haas. Depois de outra sova, agora de
Romain Grosjean, Esteban ficou desmoralizado na categoria e perdeu a vaga para Kevin Magnussen.
Gutiérrez até fez um novo contato com a Sauber, mas deve perder a vaga
para Pascal Wehrlein. Mesma coisa com a Manor – mas essa nem deve ter
carro para oferecer. A solução foi se mandar para a F-E, disputando o eP do México. Vade retro.
5º) Felpe Nasr
Nasr, assim como Gutiérrez, foi vítima do movimentado mercado de
pilotos da F1. Mas sua trajetória até o beco sem saída foi bem
diferente: Felipe pontuou com frequência em 2015, colocando o
companheiro Marcus Ericsson no bolso. Já 2016 foi um ano terrível: o
brasileiro sofreu para superar o sueco e teve o épico nono lugar no GP
do Brasil como único ponto alto. Não é uma carreira brilhante, mas é
digna de elogios.
Mesmo assim, Nasr ficou de mãos abanando. Sofrendo com patrocinadores, Felipe não conseguiu renovar o contrato com a Sauber.
A Manor passou a ser a única alternativa, mas contar com uma equipe em
processo de falência é otimismo demais. Parece questão de tempo para o
brasileiro ser confirmado como desempregado da F1.
| Felipe Nasr tem um futuro sombrio pela frente (Foto: Sauber) |
4º) Manor
A pequena equipe britânica ainda nem foi confirmada fora do grid da F1, mas a falência é o prognóstico mais plausível no momento.
O surgimento de um novo investidor é crucial para manter a Manor na F1
em 2017, e o tempo para resolver isso é curto. Mesmo pontuando com
Pascal Wehrlein na Áustria, a equipe terminou o ano em último no
Campeonato de Construtores, perdendo dinheiro da premiação e ficando com
a corda no pescoço.
Seria um fim triste para uma equipe que tanto sofreu na F1. Fundada
como Virgin em 2010, a esquadra viveu o auge como Marussia, nome adotado
em 2012. O melhor rendimento foi suficiente para derrubar a Caterham
tanto em 2013 quanto 2014 – este, aliás, um ano tão paradisíaco quanto
infernal. Jules Bianchi pontuou em Mônaco, mas sofreu um acidente que se
provaria fatal no Japão.
É bem verdade que a Manor não conseguiu resultados marcantes, mas deixa
seu nome na F1 pela história conturbada e aguerrida. Uma equipe que
nunca teve grande orçamento pontuou duas vezes e ajudou a escrever
capítulos importantes da história recente da categoria.
3º) Ron Dennis
A saída de Dennis do grupo McLaren deve ser uma das notícias mais
surpreendentes do ano. Depois de 35 anos comandando a equipe, sendo
responsável pelos momentos mais gloriosos, Ron foi mandado embora pelos acionistas. Nem o nome mais icônico da equipe britânica escapou ileso de uma época de resultados parcos.
Para muitos, a saída de Dennis é necessária para garantir o futuro da
McLaren. O embate entre presidentes e acionistas seria mais um obstáculo
para um time que não vence desde 2012. A temporada 2017 marca o início
de uma nova fase para os britânicos, agora com Zak Brown no comando.
| Jenson Button será grande ausência no grid da F1 (Foto: McLaren) |
2º) Jenson Button
Outra grande perda da McLaren para 2017 é Button. O campeão de 2009,
que tanto se identificou com a equipe britânica, foi responsável por
grandes resultados. Na escuderia fundada por Bruce McLaren, muitas
vitórias – inclusive a última da McLaren, no GP do Brasil de 2012.
Acontece que, como em várias esferas da vida, a fila precisa andar.
Stoffel Vandoorne, jovem muito promissor, estava de prontidão para
assumir um carro de F1 desde o fim de 2015. Para não perder aquele que
tem tudo para ser um dos nomes do futuro, Button precisou pular fora.
Oficialmente Jenson tem contrato com a equipe até o fim de 2017, mas ninguém espera um retorno. Se o próprio britânico tratou o GP de Abu Dhabi como o último, nada mais justo que nós façamos o mesmo.
1º) Nico Rosberg
Rosberg não tratou o GP de Abu Dhabi como último, mas acabou sendo –
para surpresa de todos nós. No auge da carreira, depois de conquistar um
título que muitos disseram que nunca chegaria, o alemão pôs um ponto final em sua trajetória no automobilismo. A decisão mais bombástica de 2016 não poderia perder a pole position desta lista.
Mesmo surpreendente, a decisão de Rosberg faz sentido. O germânico
venceu 23 vezes – 20 delas nos últimos três anos. Para um piloto que não
é tão brilhante quanto Lewis Hamilton, é uma marca digna de aplausos.
Depois de duas temporadas de contestação, o #6 chegou ao topo – e isso
não há de ser questionado. A saída da F1 para se dedicar à família é
daquelas coisas que poucos tem coragem de fazer. Nico teve, e, assim
como todos os outros desta lista, vai passar 2017 longe do paddock. Mas
ninguém foi capaz de colocar um ponto final em seu ciclo na categoria da
mesma forma que o agora ex-Mercedes.
Uol


