Tecnologia do Blogger.
15.9.26

Anvisa aprova 14 novas canetas para diabetes e obesidade

Anvisa amplia opções de medicamentos para diabetes tipo 2 e obesidade em 2026, com novos registros de semaglutida, liraglutida e tirzepatida.

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) ampliou em 2026 as opções de medicamentos injetáveis utilizados no tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade. A mudança ganhou força após o fim da patente da semaglutida, substância do Ozempic, da Novo Nordisk, em março.

Ao longo do ano, foram aprovadas 14 canetas com diferentes princípios ativos: dez à base de semaglutida, três de liraglutida e uma nova versão do Mounjaro, medicamento à base de tirzepatida.

A ampliação do mercado, porém, não significa que todos os produtos possam ser utilizados ou substituídos indistintamente. A escolha do tratamento deve considerar fatores como o diagnóstico, a necessidade de perda de peso, outras doenças do paciente, os estudos disponíveis sobre cada medicamento e a possibilidade de manter o tratamento por períodos prolongados.

Segundo a endocrinologista Bruna Marinho, coordenadora do Serviço de Endocrinologia e Metabologia do Hospital Felício Rocho, em Belo Horizonte (MG), esses critérios são importantes porque obesidade e diabetes são doenças crônicas e o tratamento medicamentoso pode precisar ser mantido durante meses ou anos.

O custo também pode pesar na decisão. Um medicamento com maior potencial de perda de peso, como o Mounjaro, pode não ser a alternativa mais adequada se o paciente não conseguir manter o pagamento do tratamento continuamente.

Efeitos colaterais também devem ser considerados

A tolerabilidade aos medicamentos é outro aspecto analisado pelos especialistas. As substâncias dessa classe atuam sobre o sistema gastrointestinal e podem provocar efeitos como náusea, dor abdominal, refluxo, constipação e outras alterações do hábito intestinal.

A endocrinologista Alana Rocha, professora de endocrinologia da Afya Educação Médica Vitória, explica que a avaliação também considera as doenças associadas de cada paciente.

“A gente precisa avaliar várias coisas, principalmente as comorbidades que o paciente possui.”

Segundo Rocha, a análise pode ser diferente para uma pessoa com obesidade e diabetes e para outra que também apresente problemas no fígado ou no coração. Ela ressalta que nem sempre é possível fazer a transição entre medicamentos.

Semaglutida ganha novas opções no Brasil

A principal transformação no mercado brasileiro em 2026 ocorreu com a semaglutida, substância conhecida principalmente pelas marcas Ozempic e Wegovy, da Novo Nordisk.

A substância imita a ação do GLP-1, hormônio produzido naturalmente pelo organismo que participa do controle da glicose e da saciedade. Ao ativar os receptores de GLP-1, a semaglutida contribui para o controle da glicemia, reduz o apetite e aumenta a sensação de saciedade.

Até março, a fabricação de medicamentos com semaglutida no Brasil estava concentrada nos produtos da Novo Nordisk. O fim da exclusividade em 20 de março abriu espaço para outras empresas.

Em 26 de maio, a Anvisa aprovou o Ozivy, da EMS, primeiro medicamento à base de semaglutida registrado após a queda da patente. O produto é indicado para adultos com diabetes tipo 2 insuficientemente controlado. Em julho, o medicamento passou a integrar a Lista de Medicamentos de Referência da Anvisa.

Em 29 de julho, foram aprovados outros cinco medicamentos à base de semaglutida: Owozy, da Ávita Care; Seemasun, da Sun Farmacêutica; Zempneo, da Brainfarma; Semavy, da Cosmed; e Orsema, da Ranbaxy. As indicações informadas são para adultos com diabetes tipo 2 insuficientemente controlado.

Em agosto, a EMS obteve o registro do primeiro medicamento genérico de semaglutida do país. Na mesma data, a Germed teve aprovado o Semaclique, na categoria de medicamento similar.

Uma semana depois, em 24 de agosto, a Anvisa aprovou o segundo genérico de semaglutida, também da Germed. Já em 31 de agosto, foi aprovado o Yluméc, da EMS, registrado como medicamento similar na modalidade clone.

Lista de semaglutidas aprovadas em 2026

  • Ozivy, da EMS;

  • Semavy, da Cosmed;

  • Owozy, da Ávita Care;

  • Zempneo, da Brainfarma;

  • Seemasun, da Sun Farmacêutica do Brasil;

  • Orsema, da Ranbaxy Farmacêutica;

  • Semaglutida genérica da EMS;

  • Semaclique, da Germed;

  • Semaglutida genérica da Germed;

  • Yluméc, da EMS.

O Ozempic custa entre R$ 975 nas versões de 0,25 mg e 0,5 mg pelo programa Preço NovoDia no comércio eletrônico, enquanto a apresentação de 1 mg é anunciada por R$ 999. O Ozivy chegou às farmácias com preços entre R$ 452 e R$ 498 por caneta.

A legislação estabelece que medicamentos genéricos tenham preço, no mínimo, 35% inferior ao medicamento de referência. Considerando os valores de lançamento do Ozivy, a estimativa apresentada para os genéricos fica entre R$ 293 e R$ 323.

Os demais medicamentos aprovados ainda precisam cumprir outras etapas antes de chegar às farmácias, incluindo a definição do preço pela Câmara de Regulação do Mercado de Medicamentos (CMED).

O mercado brasileiro também já contava com outras opções de semaglutida antes das aprovações de 2026. Desde outubro de 2025, a Eurofarma comercializa o Extensior e o Poviztra, desenvolvidos em parceria com a Novo Nordisk. Segundo a farmacêutica, o Extensior é idêntico ao Ozempic e o Poviztra ao Wegovy.

Liraglutida também ganha novos medicamentos

A liraglutida, outra substância pertencente à classe dos agonistas do receptor de GLP-1, também ganhou novas opções no mercado brasileiro.

Em 1º de junho, a Anvisa aprovou a Liraclick, descrita no material como versão de semaglutida sintética da Germed. Em 8 de setembro, a agência aprovou dois medicamentos genéricos de liraglutida produzidos pela EMS para o tratamento da obesidade e do diabetes tipo 2.

Os produtos têm como referência os medicamentos Olire e Lirux, da própria EMS, que começaram a chegar às farmácias no fim de 2025. O Olire é destinado ao tratamento da obesidade, enquanto o Lirux é indicado para diabetes tipo 2.

Tanto o Olire quanto o Lirux são comercializados em canetas de 6 mg e anunciados a partir de R$ 84 em grandes redes de farmácias na internet.

Uma diferença importante entre a liraglutida e medicamentos como semaglutida e tirzepatida está na frequência de aplicação. Enquanto semaglutida e tirzepatida são administradas, em geral, uma vez por semana, a liraglutida costuma exigir aplicação diária.

Para o endocrinologista Júlio Américo Batatinha, doutorando no Hospital das Clínicas da Faculdade de Medicina da USP, essa frequência de uso ajudou a reduzir o espaço da liraglutida diante de medicamentos mais recentes.

Ele afirma que a liraglutida apresenta efeito intermediário na perda de peso e bom resultado no controle do diabetes, mas exige aplicação todos os dias. Já a semaglutida apresenta efeito mais relevante sobre a perda de peso e pode ser utilizada semanalmente. Na comparação com a tirzepatida, porém, a semaglutida pode apresentar um pouco mais de efeitos colaterais.

Mounjaro continua como única tirzepatida aprovada

A tirzepatida é o princípio ativo do Mounjaro, da Eli Lilly, utilizado no tratamento do diabetes tipo 2 e da obesidade conforme as indicações autorizadas.

Diferentemente da semaglutida, a tirzepatida atua sobre dois hormônios envolvidos no controle metabólico, o GLP-1 e o GIP. Por isso, é classificada como um agonista duplo.

A substância continua protegida por patente no Brasil. Dessa forma, o Mounjaro permanece como a única opção aprovada pela Anvisa com tirzepatida.

Em 18 de março, a Anvisa aprovou o registro da versão multidose do Mounjaro. A apresentação utiliza uma versão reutilizável que permite múltiplas aplicações a partir de um mesmo frasco, diferentemente das canetas descartáveis já disponíveis.

Dulaglutida ainda tem medicamento protegido por patente

Outra substância da mesma família é a dulaglutida. No Brasil, seu principal medicamento de referência é o Trulicity, da Eli Lilly, aprovado para o tratamento do diabetes tipo 2.

Até o momento, não há versões genéricas ou similares da dulaglutida no país, pois o medicamento ainda está protegido por patente.

De acordo com Batatinha, a dulaglutida apresenta menor potência para redução de peso quando comparada à semaglutida e à tirzepatida. Com a chegada de medicamentos considerados mais potentes, seu uso para essa finalidade perdeu espaço.

  • Comentar com o Gmail
  • Comentar com o Facebook

0 commentarios:

Postar um comentário

Item Reviewed: Anvisa aprova 14 novas canetas para diabetes e obesidade Rating: 5 Reviewed By: Informativo em Foco