Cometa que passa a cada 50 mil anos poderá ser visto da Terra em fevereiro

 Última vez em que o objeto passou pelo planeta foi durante o período Paleolítico Superior, quando os neandertais ainda vagavam por aqui.

Após viajar pelos confins gelados do nosso Sistema Solar, um cometa recém-descoberto poderá ser visto a olho nu ao passar pela Terra em fevereiro, a partir do Hemisfério Sul, onde o Brasil está localizado. O corpo espacial surge apenas uma vez a cada 50 mil anos, tornando esta uma chance única de vê-lo.

Segundo a agência de notícias France-Presse (AFP), a pedra de gelo e poeira chegará mais próxima do Sol em 12 de janeiro e passará mais perto do nosso planeta em 1º de fevereiro.

A última vez que o objeto emissor de uma aura esverdeada passou pela Terra foi durante o período Paleolítico Superior, quando os neandertais ainda vagavam por aqui.

O cometa que passa a cada 50 mil anos

O cometa ganhou o nome C/2022 E3 (ZTF) em homenagem ao projeto de observação astronômica Zwicky Transient Facility, que utiliza uma câmera acoplada ao Telescópio Samuel Oschin no Observatório Palomar, nos Estados Unidos. A iniciativa observou a pedra pela primeira vez em sua passagem por Júpiter em março de 2022.

Segundo Thomas Prince, professor de física do Instituto de Tecnologia da Califórnia que trabalha no Zwicky Transient Facility, o cometa "será mais brilhante quando estiver mais próximo da Terra".

Nicolas Biver, astrofísico do Observatório de Paris, na França, estima que C/2022 E3 tenha um diâmetro de cerca de um quilômetro. Isso o torna menor que o NEOWISE, o último cometa visível a olho nu a passar pela Terra em março de 2020, e Hale-Bopp, que esteve por aqui em 1997 com um diâmetro potencialmente fatal de cerca de 60 quilômetros.

"Como o cometa chegará mais perto da Terra, isso pode compensar o fato de não ser muito grande", disse Biver à AFP. “Também podemos ter uma boa surpresa e o objeto pode ser duas vezes mais brilhante do que o esperado."

Como observar

Embora C/2022 E3 fique mais brilhante para observadores no Hemisfério Sul no início de fevereiro, uma Lua cheia pode dificultar sua detecção. O que pode ajudar na observação é utilizar um bom par de binóculos.

O cometa passou a maior parte de sua vida pelo menos 2,5 mil vezes mais distante do que a Terra está do Sol. Com esta aproximação rara, se o céu não estiver muito iluminado por luzes de cidade e da própria Lua, pode ser possível enxergar a pedra a olho nu.

De acordo com Biver, acredita-se que o cometa veio da Nuvem de Oort, uma vasta esfera teorizada em torno do Sistema Solar que abriga misteriosos objetos gelados. Entre os observadores do corpo celeste está o Telescópio Espacial James Webb, que não vai tirar imagens do C/2022 E3, mas sim estudar a composição dele.

Quanto mais próximo o objeto estiver da Terra, mais fácil será para os telescópios medirem sua composição "à medida que o Sol evapora de suas camadas externas". Prince afirmou que o visitante raro nos dará “informações sobre os habitantes de nosso Sistema Solar muito além dos planetas mais distantes”.

Ao que tudo indica, é melhor mesmo não perder esta observação: a próxima visita de C/2022 E3 ao Sistema Solar interno pode tanto só ocorrer daqui a 50 mil anos quanto pode de fato nunca mais acontecer. Para Biver, existe a possibilidade de que, após esta aproximação, o cometa seja ejetado permanentemente do Sistema Solar.

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