Destroços de caça desaparecido há 40 anos são encontrados no Rio Grande do Sul

 Foram achadas várias partes da aeronave, como motores, trem de pouso, canhão, pilones, pedaços da fuselagem e fragmentos das asas.

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) — Os destroços de um caça da FAB (Força Aérea Brasileira) desaparecido há 40 anos na Lagoa dos Patos, foram encontrados pelo Quinto Comando Aéreo Regional, de Canoas, no Rio Grande do Sul, com a ajuda da Marinha e do Corpo de Bombeiros a partir de alerta feito por um pescador e um velejador.

Foram achadas várias partes da aeronave, como motores, trem de pouso, canhão, pilones, pedaços da fuselagem e fragmentos das asas.

Essa história começa no dia 28 de julho de 1982, quando o caça F-5E Tiger 2 , de matrícula FAB-4831, pilotado pelo tenente aviador Edson Luiz Chiapetta Macedo, desapareceu enquanto realizava um combate aéreo simulado contra outro caça sobre a Lagoa dos Patos, em uma área de treinamento. As duas aeronaves pertenciam à Base Aérea de Canoas.

Na época, as buscas realizadas não conseguiram encontrar vestígios da aeronave e do piloto desaparecido.

As buscas foram retomadas quatro décadas depois porque o pescador Josoé Ortiz, morador de Palmares do Sul (RS), percebeu que sua rede de pesca de tainha ficou presa em objetos submersos na região do desaparecimento.

Caça da Força Aérea Brasileira desaparecido desde 1982 na Lagoa dos Patos — Foto: FAB/Divulgação

Ele conhecia o caso do F-5 e mandou imagens das peças encontradas presas à rede de pesca e a localização aproximada para o velejador e piloto civil Cristian Yanzer de Lima, que procurava há cinco anos, por conta própria, pistas da aeronave sumida.

Yanzer começou uma varredura na região por meio de um sistema de sonar usado em buscas de objetos debaixo da água, no veleiro Vikung. Reflexos metálicos que apareceram na tela do equipamento indicaram a existência de peças submersas, algumas delas grandes, a cerca de cem metros do local inicialmente indicado.

O pesquisador entregou as imagens do sonar e os objetos recolhidos pelo pescador ao Quinto Comando Aéreo Regional. O contato dele foi o coronel Antônio Biasus, piloto de caça e contemporâneo do aviador desaparecido.

Imagens de sonar de peça do caça encontrada no fundo da Lagoa dos Patos — Foto: Cristian Yanzer

"Sempre contei com o apoio de amigos, desde velejadores até pescadores, que ajudaram na procura", Yanzer afirmou em entrevista ao site da FAB.

A partir das informações recebidas, as buscas oficiais foram organizadas com a utilização de um navio patrulha e lanchas da Marinha e do Corpo de Bombeiros do Rio Grande do Sul.

Equipe que atuou nas buscas de caça desaparecido havia 40 anos no RS — Foto: FAB/Divulgação

"Antes de iniciarmos a missão, fizemos briefings sobre os aspectos técnicos da aeronave F-5, sobre o local dos destroços, além da definição dos procedimentos de buscas", disse o major aviador Cyriaco Bernardino Duarte de Almeida Brandão Júnior, chefe da assessoria de segurança de voo da Base Aérea de Canoas. Também foram realizadas reuniões com familiares do major Chiapetta.

As buscas foram realizadas entre os dias 7 e 10 de setembro. "Nessa operação conjunta foi possível recolher todos os destroços que foram mapeados, nos dando a certeza de pertencerem à aeronave desaparecida há 40 anos", afirmou o comandante do Quinto Comando Aéreo Regional, Marcelo Fornasiari Rivero.

Embarcações auxiliaram nas buscas por destroços de caça no RS — Foto: Cristian Yanzer

Os destroços foram encontrados a uma profundidade de 7,5 metros. "Inúmeros mergulhos traziam pouco a pouco à tona um quebra-cabeças da história do valente aviador que lutou até o fim por sua vida e por sua aeronave", descreveu o velejador e piloto Yanzer, que participou da operação.

O pescador que colaborou com a localização dos destroços afirmou, em publicação nas redes sociais, que ouviu muitas vezes o pai contar histórias sobre o avião desaparecido e sobre a tristeza dos familiares do piloto. "Eu só queria ajudar", disse.

Os restos mortais de Chiapetta não foram localizados. Anos após o acidente, o piloto foi promovido post mortem como reconhecimento pelo dever cumprido.

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