Homem atira em mulher e filha dela, mata namorado da jovem e comete suicídio no Recife

 Segundo parentes, criminoso estava em processo de separação da mulher e parecia estar embriagado quando invadiu o prédio. Uma vítima foi socorrida, mas não resistiu os ferimentos.

Um homem invadiu um prédio, baleou três pessoas e depois se matou nesta sexta-feira (8), em Boa Viagem, área nobre da Zona Sul do Recife, segundo a Polícia Civil. Parentes das vítimas, que pediram para não ser identificados, relataram que ele estava em processo de separação e atirou contra a mulher, a filha dela e o namorado da jovem. O rapaz morreu no hospital.

O namorado, identificado Breno Felipe de Sales Machado, de 28 anos, foi socorrido para o Hospital da Restauração, no bairro do Derby, na região central, onde deu entrada com um tiro no peito às 9h28. Ele não resistiu aos ferimentos e morreu às 10h15, segundo a unidade de saúde.

Os parentes contaram que a empresária Lizia Regina de Albuquerque Melo, de 48 anos, estava se separando do homem que fez os disparos, identificado apenas como Emerson, de 47 anos. Ele teria atirado na cabeça dela e também alvejado a filha da mulher e enteada dele, Mayara Melo, de 21 anos, ainda segundo familiares. Essa jovem foi atingida de raspão no pescoço, segundo testemunhas.

O perito do Instituto de Criminalística Ranon Barros afirmou que o crime ocorreu no corredor do 4º andar do Edifício Morada dos Navegantes. Havia ao menos duas marcas de tiros em paredes do hall.

Imagem da câmera de segurança (Reprodução)

"O socorro prestado para as vítimas acaba dificultando a determinação da dinâmica exata [do tiroteio]. O que a gente pode determinar é que tinha uma vítima na proximidade do local em que ele se lesionou", relatou.

A princípio, segundo Barros, não havia sinais de que o homem entrou no apartamento, mas a perícia ainda vai analisar os materiais coletados. Quando os peritos chegaram ao local, a arma já não estava mais com o homem. "A arma foi coletada pelos policiais militares", disse o perito criminal.

A Secretaria de Saúde do Recife informou que as duas mulheres foram socorridas com vida para um hospital particular.

O Hospital da Unimed, para onde elas teriam sido levadas, informou que, devido à Lei Geral de Proteção de Dados, não pode repassar detalhes sobre pacientes, mas confirmou que duas pessoas deram entrada com ferimentos decorrentes de um incidente em um prédio em Boa Viagem.

Edifício Morada dos Navegantes, na Rua dos Navegantes, na Zona Sul do Recife — Foto: Pedro Alves/g1

O crime

A despachante aduaneira Taciana Borges mora no prédio em que ocorreu o crime e estava no elevador quando ouviu os tiros.

"Estava voltando da caminhada e o porteiro já me avisou que esse homem tinha entrado armado. Daqui de baixo mesmo ouvi dois tiros. Fiquei na dúvida se subia, mas o porteiro olhou na câmera e viu que não tinha ninguém. Quando estava dentro do elevador, passando pelo 4º andar, ouvi o terceiro tiro", afirmou.

Taciana Borges disse, ainda, que cerca de dois dias antes do crime, a enteada do criminoso, Mayara Melo, avisou aos funcionários do prédio para que não autorizassem a entrada do homem, porque ele era muito agressivo.

"Ele conseguiu entrar quando um carro entrou, aí ele entrou junto, porque o porteiro estava barrando. Ali dentro ele já mostrou que estava armado para o zelador e subiu. Foi muito rápido, na hora que ele subiu já começou a discussão, teve o tiro e a gente ligou para o Samu e o Samu ligou para a polícia", declarou a moradora.

O zelador Roberto Dubas dos Santos foi a primeira pessoa com quem o homem teve contato quando conseguiu entrar no prédio. Ele disse que Emerson estava com a arma na cintura, à mostra, e que não teve como impedir que o criminoso subisse.

"Cheguei no serviço às 7h30 e ele estava querendo entrar. Disse 'abre aí para mim, galego'. Falei que não podia, e ele disse que queria pegar as ferramentas dele. Falei 'não, o senhor já pegou suas ferramentas e nós botamos no seu carro. [...] Ele aproveitou quando abriu o portão da garagem para o morador sair e ele entrou já com a arma na cintura igual polícia", declarou o zelador.

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