Delegados da PF pedem renúncia de ministro da Justiça e prometem paralisações por reajuste

 As medidas aprovadas na assembleia realizada na segunda (2) e terça (3) são mais um capítulo da crise entre os policiais federais e o governo Bolsonaro.

BRASÍLIA, DF (FOLHAPRESS) - A ADPF (Associação Nacional dos Delegados de Polícia Federal) decidiu, em assembleia dos seus associados, pedir a renúncia do ministro da Justiça, Anderson Torres, após o governo de Jair Bolsonaro não cumprir promessa de reajuste e reestruturação das carreiras federais de segurança.

Os delegados também prometem paralisações parciais e progressivas, cujas datas ainda serão definidas, e a associação liberou seus associados para que entreguem cargos de chefia ou se neguem a aceitar novas lotações.

As medidas aprovadas na assembleia realizada na segunda (2) e terça (3) são mais um capítulo da crise entre os policiais federais e o governo Bolsonaro.

"É importante destacar que a segurança pública foi a maior bandeira de campanha do governo Bolsonaro e o destacado trabalho das forças de segurança vem sendo utilizado, indevidamente, pelo presidente como instrumento de marketing para a sua reeleição", diz a ADPF, em nota divulgada nesta manhã.

"Foram aprovadas, ainda, ações de mobilização e conscientização da população durante as atividades administrativas, como controle imigratório, de armas, de produtos químicos e segurança privada, realizadas pela PF", informa a associação.

Os policiais criticam o reiterado descumprimento das promessas feitas pelo presidente Jair Bolsonaro. No ano passado, o presidente chegou a prometer que faria a reestruturação da PF e R$ 1,7 bilhão foi reservado no Orçamento.

Como mostrou a Folha, os policiais federais têm subido o tom das críticas ao governo Jair Bolsonaro após o governo sinalizar a concessão de aumento de 5% a todas carreiras federais, o que descartaria a reestruturação prometida às categorias federais da segurança pública.

Desde que o aumento começou a ser noticiado e não foi desmentido pelo governo, as entidades representativas dos delegados, peritos e agentes federais passaram a se reunir para debater qual será a resposta a ser dada.

Além da reestruturação, os policiais citam as perdas com o aumento da alíquota de contribuição criado pela reforma da Previdência e a PEC Emergencial, aprovada em março de 2021 com apoio da base do governo, que prevê um gatilho para congelamento de salário e proibição de progressão na carreira e novas contratações sempre que houver decretação de estado de calamidade ou quando a relação entre despesas correntes e receitas correntes alcançar 95%.

Em todos os casos, afirmam os policiais, havia a promessa do governo de deixar os policiais de fora e, na última hora, o acordo não foi cumprido.

Os policiais lembram que, além das promessas de Bolsonaro, no dia 28 de março, o ministro Anderson Torres garantiu em uma reunião com as entidades que a reestruturação seria realizada.

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