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Confronto entre palestinos e polícia de Israel deixa ao menos 57 feridos em Jerusalém

 A polícia israelense relata ter agido após centenas de pessoas começarem a atirar pedras e fogos de artifício, aproximando-se do Muro das Lamentações, onde um culto judaico estava em andamento.

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) — Ao menos 57 palestinos ficaram feridos em confronto com a polícia de Israel no complexo da mesquita Al-Aqsa em Jerusalém, nesta sexta-feira (22), segundo médicos, em meio a onda de violência durante o mês sagrado islâmico do Ramadã.

A polícia israelense relata ter agido após centenas de pessoas começarem a atirar pedras e fogos de artifício, aproximando-se do Muro das Lamentações, onde um culto judaico estava em andamento. Uma agente foi ferida por uma pedra e uma árvore ficou em chamas devido aos fogos de artifício. Dois dos palestinos feridos estão em estado grave, segundo o serviço de ambulância.

Testemunhas relataram à agência de notícias Reuters que os agentes entraram no complexo após as orações da manhã e atiraram balas de borracha e bombas de efeito moral contra cerca de 200 palestinos, alguns dos quais atiravam pedras. A polícia também usou um drone para disparar gás lacrimogêneo, segundo o diretor da mesquita. Por volta de meio-dia no horário local (6h em Brasília), a situação acalmou e milhares de pessoas conseguiram orar.

Vários ministros árabes reunidos em Amã condenaram "os ataques e as violações israelenses contra os fiéis da mesquita de Al-Aqsa", um templo administrado pela Jordânia, mas com os acessos controlados por Israel.

A Esplanada das Mesquitas, onde fica Al-Aqsa, fica no topo do planalto da Cidade Velha de Jerusalém Oriental, que foi capturado por Israel na guerra do Oriente Médio de 1967 e é conhecido pelos muçulmanos como Al-Haram al-Sharif, ou seja, O Nobre Santuário, e pelos judeus como Monte do Templo. É ainda o terceiro lugar sagrado do Islã e local mais sagrado do judaísmo.

Os palestinos acusam Israel de restringir celebrações muçulmanas em Al-Aqsa, enquanto não faz o suficiente para garantir a proibição de longa data de preces judaicas no complexo, o que Israel nega. Como em anos anteriores, as autoridades têm interrompido as visitas de judeus nos dias finais do Ramadã, afirmou um funcionário do governo.

O aumento na violência em Israel e nos territórios palestinos nas últimas semanas alimenta o receio de que a situação evolua para um conflito mais amplo, como o que durou 11 dias contra o Hamas, no ano passado. O grupo palestino já subiu o tom e disse que seus combatentes "têm seus dedos no gatilho de fuzis e irão defender a mesquita Al-Aqsa com todo o nosso poder", afirmou o oficial Mushir al-Masri em um comício no norte de Gaza.

Desde março, forças israelenses mataram ao menos 29 palestinos na Cisjordânia, e 14 pessoas foram mortas em ataques a ruas árabes em Israel, segundo os médicos. As tensões neste ano foram alimentadas pelo fato de o Ramadã coincidir com a celebração judaica de Páscoa, o que levou visitantes muçulmanos e judeus ao complexo em Jerusalém, sagrado para ambas as religiões.

A conduta dos militares israelenses na última sexta (13), quando mais de 150 palestinos e oito policiais ficaram feridos em Al-Aqsa, "levantam sérias preocupações de que o uso da força foi amplo, desnecessário e indiscriminado", disse um porta-voz do Alto Comissariado da ONU para os Direitos Humanos.

Israel reivindica toda a área de Jerusalém como sua "capital indivisível", enquanto os palestinos buscam fazer com que Jerusalém Oriental, incluindo aí os locais sagrados para muçulmanos, cristão e judeus, torne-se a capital de um futuro Estado.

"Israel preserva e continuará preservando o 'status quo' no Monte do Templo, mas não aceitaremos em nenhum caso o lançamento de foguetes a partir da Faixa de Gaza", afirmou nesta quinta (21) o ministro das Relações Exteriores, Yair Lapid.

Antes da declaração, Lapid se reuniu com a representante do Departamento de Estado americano para o Oriente Médio, Yaël Lempert, e com o emissário dos Estados Unidos para as relações israelense-palestinas, Hady Amr.

Os dois diplomatas americanos também se encontraram com dirigentes da Autoridade Palestina, que tem sede na Cisjordânia ocupada.

"O presidente [da Autoridade Palestina, Mahmud Abas] pediu a intervenção urgente do governo americano para acabar de uma vez por todas com a escalada israelense nos Territórios Palestinos", afirmou Hussein al Sheikh, funcionário de alto escalão da Autoridade Palestina.

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