Órgão da OMS diz que vacinas da Covid 'podem precisar ser adaptadas' para ômicron

 Atualização pode ser necessária para que efetividade dos imunizantes contra a doença permaneça em níveis recomendados.

Um grupo consultivo técnico estabelecido pela Organização Mundial da Saúde (OMS) disse nesta terça-feira (11) que as vacinas atuais contra a Covid-19 podem precisar ser atualizadas para garantir que sejam eficazes contra novas variantes, como a ômicron.

O grupo técnico, formado por especialistas independentes, disse que consideraria uma mudança na composição das vacinas e enfatizou que os imunizantes precisam ser mais eficazes na proteção contra a infecção.

"A composição das vacinas atuais contra a Covid-19 pode precisar ser atualizada, para garantir que as vacinas contra a Covid-19 continuem a fornecer os níveis de proteção recomendados pela OMS contra infecções e doenças por variantes de preocupação, incluindo a ômicron e variantes futuras", disse o órgão de especialistas independentes em um comunicado enviado a jornalistas pela OMS.

"As vacinas da Covid-19 precisam... provocar respostas imunes amplas, fortes e duradouras para reduzir a necessidade de doses de reforço sucessivas", acrescentou.

“É improvável que uma estratégia de vacinação baseada em doses repetidas de reforço da composição original da vacina seja apropriada ou sustentável”.

Como informa a agência Reuters, no entanto, o grupo técnico não chegou a defender uma vacina específica para a ômicron neste momento, dizendo que mais pesquisas são necessárias e instando os fabricantes a compartilhar dados.

O grupo disse que uma vacina atualizada poderia ser direcionada especificamente para a variante dominante, que atualmente é a ômicron em muitos lugares, ou ser uma "vacina multivalente" projetada para eliminar várias variantes de uma só vez. Outras recomendações serão emitidas quando mais dados estiverem disponíveis, acrescentou.

Alguns fabricantes de vacinas já estão desenvolvendo imunizantes de próxima geração visando a Ômicron, a variante altamente contagiosa detectada pela primeira vez no sul da África e em Hong Kong.

Na segunda-feira, o presidente-executivo da Pfizer, Albert Bourla, disse que uma vacina contra a Covid-19 redesenhada que visa especificamente a variante ômicron provavelmente seria necessária, e que seu laboratório pode ter uma pronta para lançamento em março.

A rival Moderna também está trabalhando em uma vacina adaptada à ômicron, mas é improvável que esteja disponível nos próximos dois meses.

Pesquisa da USP

Um estudo inédito feito pelo Instituto de Ciências Biomédicas com 160 pessoas vacinadas concluiu que quem tomou recentemente duas ou três doses de qualquer vacina conseguiu ter alguma proteção contra a variante ômicron, ou seja, produziu anticorpos capazes de neutralizar o vírus.

O virologista e coordenador do estudo, Edison Durigon, explica que a proteção foi maior com a combinação de duas doses de uma mesma vacina e o reforço com uma vacina diferente.

“Se ele neutraliza o vírus ele dá uma proteção. Foi o que vimos em 100% dos indivíduos que tomaram as três doses, ou seja, esquema completo. Estavam bem protegidos contra a ômicron. Tivemos proteção muito alta. E os que tomaram só as duas doses, tivemos entre 30 e 40% de proteção”, explica.

O professor esclarece que "proteção" é diferente de "infecção". Ao entrar no organismo, a variante ômicron se replica muito rapidamente. E nosso sistema imune, com a vacina, não chega a impedir a infecção.

“Às vezes a gente confunde muito infecção e proteção. A proteção é contra a doença. Para você proteger contra a infecção, tem que ter anticorpos muito especificos que agem muito rapidamente. Um vírus como a variante ômicron é muito rapido, em 24 a 48 horas a gente ja tem replicação desse virus muito alta. Não da tempo de o sistema imune proteger contra infecção. Mas o sistema imune depois de 48 horas já tem anticorpos protetores suficientes pra começar a combater o vírus. E ai não dá tempo de a infecção se instalar como doença. Então a doença fica muito mais leve. Essa é a proteção. Ele protege contra doença grave mas não contra infecção por conta da característica desse vírus”, explica o pesquisador.

Os dados da pesquisa ainda são preliminares, e devem ser revisados por outros cientistas, mas reforçam a importância de as pessoas completarem o esquema vacinal.

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