Mesmo partidos de direita no Brasil estão sob influência da China, diz Ernesto a Bannon

 "Mesmo alguns partidos considerados de direita estão totalmente sob a influência de Pequim", disse Ernesto, citando nominalmente o partido Progressistas (PP).

WASHINGTON, EUA (FOLHAPRESS) — Em conversa com o estrategista americano Steve Bannon, o ex-chanceler Ernesto Araújo afirmou nesta terça-feira (4) que todo o sistema político brasileiro – incluindo os partidos de direita – está sob a influência da China e do que ele chamou de "narcosocialismo".

Bannon, que foi conselheiro do ex-presidente dos EUA Donald Trump, havia perguntado em seu podcast "War Room" se Lula estava ligado ao Partido Comunista da China – Ernesto disse que provavelmente sim.

Depois, o ex-ministro afirmou que também o centrão – o "big center", na fala dele em inglês – é afetado pelo país asiático. "Mesmo alguns partidos considerados de direita estão totalmente sob a influência de Pequim", disse Ernesto, citando nominalmente o partido Progressistas (PP).

O diplomata afirmou que essa penetração chinesa no Brasil afeta os líderes políticos no Congresso, o Supremo Tribunal Federal, a elite econômica e –"é claro"– a imprensa. Há, ainda, segundo o ex-ministro, influência no governo de Jair Bolsonaro.

"Basicamente, eles administram o fluxo de dinheiro no país, e a China alimenta esse fluxo. A China prospera onde quer que haja corrupção", afirmou.

Ernesto foi chanceler do Brasil de 2019 a 2021. Fazia parte da dita ala ideológica do governo Bolsonaro. Sua controversa gestão foi marcada pelo atrito constante com a China, maior parceiro comercial do Brasil.

Em março, em meio à tempestade de antagonismos com diversos setores políticos e da sociedade, ele deixou o cargo. Desde então, tem sinalizado desgosto com os antigos aliados. Recentemente, por exemplo, disse que o governo Bolsonaro virou uma "base do centrão".

A participação no programa de Bannon nesta terça alimenta seu perfil público ligado a movimentos da extrema direita, dos quais o ex-estrategista de Trump é um dos expoentes mais visíveis nos EUA.

Depois de aconselhar o líder republicano, Bannon tem lançado tentáculos a políticos afins no restante do mundo – com interesse peculiar no Brasil, o que contextualiza a participação de Ernesto. Ao se despedir do ex-chanceler, prometendo convidá-lo uma outra vez para conversar, o americano disse que a "revelação" da penetração chinesa no Brasil era uma história importantíssima.

O podcast "War Room" é um dos megafones mais potentes de Bannon. O estrategista afirmou que o próprio Trump acompanha a produção, visto como ferramenta de expansão de sua base radical. Foi ali que Bannon espalhou as teorias conspiratórias –sem nenhuma base factual – de que as eleições americanas de novembro tinham sido fraudadas para que Joe Biden vencesse.

Tais mensagens incentivaram manifestantes a atacar o Capitólio em 6 de janeiro de 2021, chocando o país. Um ano depois, os Estados Unidos ainda lidam com as cicatrizes daquele episódio, que deixou ao menos cinco mortos. Centenas de pessoas já foram acusadas formalmente pela participação no ataque.

Durante a conversa de menos de oito minutos, Ernesto concentrou sua mensagem na China. Disse que o país asiático está presente em toda a América Latina, alimentando-se de sistemas socialistas.

Em tom de alerta, citou os governos de México, Argentina, Bolívia, Peru e Chile –para ele, são sinais de que há uma onda de esquerda no continente. "A maior parte dos países está sucumbindo ao socialismo", disse o diplomata. Em relação às eleições deste ano, afirmou ser necessário manter o Brasil no conservadorismo. "Somos a única esperança contra a penetração do narcosocialismo na região."

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