Vereadora do Novo diz que colega de partido tentou esganá-la no banheiro da Câmara de São Paulo e registra boletim de ocorrência

 Cris Monteiro (NOVO) afirma que foi agredida por Janaína Lima, da mesma legenda.

A vereadora Cris Monteiro (Novo), de 60 anos, registrou na manhã desta quinta (11) um boletim de ocorrência por agressão contra a também vereadora Janaína Lima. As duas são colegas de partido.

Cris afirma que foi empurrada contra a parede do banheiro da Câmara e agarrada pelo pescoço, até cair no chão.

A briga ocorreu durante a votação da Reforma da Previdência municipal na noite desta quarta (10). O conflito teria sido provocado por conta do tempo de fala ao microfone que cada uma teria, segundo informou Janaína Lima.

As vereadoras Cris Monteiro e Janaína Lima, do Partido Novo, que se agrediram no banheiro da Câmara Municipal de São Paulo na noite de quarta-feira (10). — Foto: Montagem/g1

De acordo com o gabinete de Cris Monteiro, durante uma discussão entre as parlamentares do plenário, ambas entraram no banheiro e, dentro do espaço, durante acalorada discussão, Monteiro afirma ter sido “empurrada contra a parede e agarrada pelo pescoço, até cair no chão”.

A parlamentar diz que está com marcas roxas evidentes no pescoço, machucou o joelho na queda e teve escoriações. Ela postou em suas redes sociais imagens dos ferimentos.

A vereadora também afirmou que tem alopecia e teve sua peruca arrancada e pisoteada por Janaina durante a briga.

A porta do banheiro precisou ser arrombada e Monteiro afirma que foi socorrida por uma GCM e uma assessora parlamentar, registrando boletim de ocorrência na 1ª Delegacia de Polícia da Sé, no Centro da capital paulista.

“O motivo da discussão que culminou em agressão foi um desentendimento sobre o tempo de fala sobre a reforma da previdência municipal, projeto que estava em votação ontem em plenário”, afirmou em nota Cris Monteiro.

“A Procuradoria da Câmara abriu procedimento de investigação interna para apurar o episódio. Cris foi socorrida por uma GCM e uma assessora parlamentar. (...) Janaína saiu do banheiro e, em seguida, fez um discurso de meia hora no púlpito do plenário, sem prestar atendimento a Cris Monteiro”, completou.

O que diz Janaína Lima

A vereadora Janaína Lima afirmou, por meio da assessoria de imprensa, que é falsa a tentativa de esganadura. Segundo ela, a confusão entre as duas parlamentares do Partido Novo começou ainda no plenário, quando Cris Monteiro não quis aceitar o acordo da bancada que dava a ela 15 minutos de discurso.

Lima afirmou que, ainda em plenário, foi empurrada pela colega nas escadas e que, no banheiro da Câmara, a situação ficou insustentável e ela só tentou se defender das agressões sofridas pela companheira de partido, agindo totalmente em legítima defesa.

Nas redes sociais, Janaína também mostrou as marcas da agressão que sofreu da colega.

Marcas da agressão que a vereadora Janaína Lima (Novo) diz ter sofrido da vereadora Cris Monteiro, do mesmo partido. — Foto: Divulgação

Lima disse ao g1 que também foi à delegacia para registrar um boletim de ocorrência contra a colega de bancada e já pediu que a Câmara Municipal apure o caso.

A vereadora declarou ainda que pretende levar o episódio à Justiça e vai pedir que o Partido Novo em São Paulo tome providências internas sobre o ocorrido.

A votação

O texto da Reforma da Previdência foi aprovado na madrugada desta quinta (11), em segunda e definitiva votação. O projeto de emenda à Lei Orgânica (PLO) recebeu 37 votos favoráveis e 18 contrários.

A sessão foi marcada por brigas e discussões entre parlamentares do governo e da oposição, no plenário, e também por confronto do lado de fora da Casa entre servidores que se manifestavam contra a reforma e guardas civis e policiais militares.

Os manifestantes jogaram ovos, garrafas e mastros de bandeira contra o prédio da Câmara, e os guardas revidaram com balas de borracha. Uma mulher fraturou a perna durante a ação da Polícia Militar e da GCM.

O projeto chegou a ficar pendente de votação na primeira sessão, ou seja, não atingiu o número mínimo para ser aprovado ou rejeitado.

Como havia cinco sessões extraordinárias previstas, o presidente da Casa, o vereador Milton Leite (DEM), abriu a segunda, e o PL obteve os 37 votos necessários para a aprovação.

Como se trata de PLO, não há necessidade de sanção do prefeito. O texto entrará em vigor em 120 dias.

A lei prevê que cerca de 63 mil aposentados que ganham mais que um salário mínimo (R$ 1.100) passem a contribuir com a Previdência municipal com uma alíquota de 14%. Na atual regra do município, o percentual só é descontado de quem ganham acima de R$ 6.433.

Manifestantes ateiam fogo em frente à Câmara durante protesto contra Reforma da Previdência municipal de SP — Foto: Rodrigo Rodrigues/g1

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