Elijah Wood vai produzir filme com 'versão mais popular, acessível e atualizada' do Zé do Caixão

 Empresa do ator de 'O senhor dos Anéis' confirmou projeto em inglês com personagem criado pelo cineasta brasileiro José Mojica Marins.

RIO — Zé do Caixão, o personagem icônico criado pelo cineasta brasileiro José Mojica Marins, deve retornar para as telas em dois projetos distintos de cinema. Um deles envolve a produtora SpectreVision, fundada pelo ator Elijah Wood, muito conhecido por interpretar Frodo na franquia "Senhor dos Anéis", e pelos diretores Daniel Noah e Josh C. Waller.

A empresa do Reino Unido One Eyed Films, que detém os direitos do personagem, confirmou ao site Screen Daily que assinou o contrato com a companhia de cinema de Los Angeles.

Conforme a companhia inglesa, a produtora americana fará "uma versão mais popular, acessível e atualizada do antagonista. Fiel ao público que já conhece o Zé do Caixão, mas apresentando o personagem para um público novo e mais amplo".

Desde o lançamento de "À Meia-Noite Levarei Sua Alma" (1964), quando o personagem foi interpretado pelo próprio Marins, Zé do Caixão já apareceu em mais nove filmes e três séries de televisão, bem como em canções, videoclipes e histórias em quadrinhos.

O segundo projeto com o coveiro será um longa em espanhol, que está em fase de roteiro, escrito pelos cineastas Lex Ortega e Adrian Garcia Bogliano. Ortega dirigirá o filme, que reinventará uma história mexicana para o personagem.

— Faz sentido criar novas histórias tanto nos EUA  — onde os filmes de "Coffin Joe" (Nome que o personagem recebeu no cinema americano) cativaram toda uma geração de fãs de terror desde os anos 1970 —  quanto no México, onde analogias culturais podem ser extraídas do cenário original do personagem, mas criando uma nova abordagem — afirmou ao Screen Daily Betina Goldman, diretora-gerente da One Eyed Films.

Inspiração num pesadelo

José Mojica Marins morreu em fevereiro de 2020, aos 83 anos, em decorrência de uma broncopneumonia. Ao longo da carreira, participou de 40 filmes como diretor e mais de 60 produções como ator, entre curtas-metragens, longas, documentários e séries.

Foi durante um pesadelo, sonhado no início de 1963, que o inferno acenou pela primeira vez para Marins. O diretor tinha então 27 anos e já contabilizava dois longas-metragens em seu currículo: o faroeste “Sina de aventureiro” (1957) e o drama “Meu destino em suas mãos” (1961). No sonho, ele era arrastado para uma cova por um homem todo de preto, que tinha seu rosto.

Ao despertar assoberbado, com a imagem daquele sujeito na cabeça, ele criou um dos personagens mais famosos da história do cinema brasileiro: o coveiro Josefel Zanatas, conhecido (e temido) ao longo de seus 51 anos de existência pela alcunha de Zé do Caixão. E com ele, a produção audiovisual do Brasil abria os olhos para um dos filões mais populares da ficção: o horror, gênero no qual Mojica virou um mestre, dirigindo e atuando.

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