Homem é preso por stalkear ex-mulher, no AM: 'Perturbava em todos os posts no Facebook', diz delegada

 A lei que criminaliza o stalking foi sancionada em 5 de abril desse ano. A nova legislação prevê pena de reclusão de seis meses a dois anos e multa para esse tipo de conduta.

RIO — Comentários em todas as publicações nas redes sociais, criação de perfis falsos, troca do número de telefone para furar bloqueio no WhatsApp. Um homem de 32 anos perseguiu de forma tão insistente sua ex-mulher que acabou preso nesta quinta-feira, em Manaus (AM), pela prática conhecida como stalking.

Considerado crime desde abril deste ano, o stalking é a perseguição reiterada a uma pessoa, de modo que resulta em ameaça à integridade física e psicológica de alguém, interferindo na liberdade e na privacidade da vítima.

A forma mais conhecida é a feita por meios digitais, o cyberstalking. O homem preso em Manaus praticou essa modalidade incessantemente nas últimas três semanas, desde que sua ex-mulher passou a se relacionar com outra pessoa.

— Ele comentava tudo o que ela postava no Facebook, ficava perturbando, dizia que estava com saudade, pedia para voltar. Era sempre dessa maneira, sem agressividade, mas ficava bisbilhotando. Ele criou perfis falsos para stalkear, comprou novos chips de celular depois que ela bloqueou o número dele — descreveu a delegada Kelene Passos.

A lei que criminaliza o stalking foi sancionada em 5 de abril desse ano. A nova legislação prevê pena de reclusão de seis meses a dois anos e multa para esse tipo de conduta.

Antes, a prática era enquadrada apenas como uma contravenção penal, de perturbação da tranquilidade alheia. A punição era de detenção de 15 dias a 2 meses e multa.

Perseguição offline

A vítima também relatou perseguição fora do mundo virtual. A mulher contou, em depoimento, que seu ex-marido vinha passando a noite em frente a casa onde mora e na porta da escola que trabalha.

De acordo com a delegada, o casal estava separado há cinco anos, mas somente no último mês o homem começou "essa loucura". O comportamento abusivo teve início assim que ele soube que a ex-mulher estava saindo com uma pessoa que conheceu na igreja.

— Ele passou a segui-la de Uber, ia para cada lugar onde ela estava, queria saber com quem ela se relacionava. Chegou a ficar em frente ao colégio onde ela trabalha. Então a mulher procurou a delegacia. Ela se sentia ameaçada, o ex-marido estava tirando a liberdade dela — disse a delegada.

Uma medida protetiva foi estabelecida para evitar que o homem continuasse a perseguir a ex-mulher. Mas não adiantou. Um mandado de prisão preventiva foi expedido nesta quarta-feira pela juíza Sabrina Cumba Ferreira, da Central de Plantão Criminal.

O suspeito vai responder pelos crimes de descumprimento de medidas protetivas e stalking.

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