Não vai mudar nada, nem secretários, diz Ricardo Nunes, que assume Prefeitura de São Paulo

Com a morte de Bruno Covas, vice se tornou o prefeito de São Paulo (Foto: Marcelo Pereira/Governo de São Paulo)

 Opositores da gestão apontam Nunes como um político de direita ou até mesmo bolsonarista. Ele nega e diz que é de centro.

SÃO PAULO, SP (FOLHAPRESS) - Ricardo Nunes (MDB), 53, que assume o comando da Prefeitura de São Paulo, diz à reportagem que administrará a cidade seguindo as mesmas diretrizes de Bruno Covas (PSDB), que morreu neste domingo (16), aos 41 anos, em decorrência de um câncer.

Sobre sua gestão, Nunes diz que será continuação fiel do que vinha sendo implementado pelo tucano. Opositores da gestão apontam Nunes como um político de direita ou até mesmo bolsonarista. Ele nega e diz que é de centro.
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Pergunta - O que significa para a cidade e para o senhor a morte de Bruno Covas?

Ricardo Nunes - Não tenho palavras. Juro por Deus. O que você quer que eu fale? Uma tristeza enorme perder uma pessoa que amava essa cidade, que ama essa cidade. Mesmo com toda a adversidade, ele nunca abaixou a cabeça. Ele deixou o exemplo de que as pessoas precisam lutar com confiança e garra. Um exemplo maravilhoso de amor à cidade. Meu raciocínio não está muito... Desculpe.

Como foram seus últimos contatos com o prefeito durante a semana?

RN - Estávamos trabalhando normalmente. Misto de trabalho e internação, claro, mas o tempo inteiro ele com o jeitão de preocupado, cobrando, pedindo para que as coisas caminhassem. A ocupação de leitos de UTI vinha subindo e ontem caiu para 77%, e eu não pude mandar uma mensagem para ele, cara. Ele estava muito preocupado com isso. A relação era essa, ele perguntando se a cidade estava bem. Ficou preocupado com a cidade até o último momento, orientando a gente.

O que o senhor pode dizer a respeito de sua gestão a partir de agora?

RN - Continuação da gestão Bruno Covas. Não terá diferença. Temos o nosso plano de metas, o que o Bruno e eu falamos na campanha, vamos continuar as mesmas coisas. Não haverá mudança em nada que o Bruno planejou e definiu. Dizem que vou trocar secretários. É fofocaiada. Será uma gestão Bruno Covas até 2024. Não existe qualquer outra possibilidade a não ser honrar a memória dele e homenagear o carinho que ele tem pela cidade.

Qual característica marcante do prefeito o senhor destacaria?

RN - Ele repetia muito a frase do avô dele [Mario Covas] de enfrentar as adversidades sem abaixar a cabeça [em seu discurso de posse do segundo mandato de governador de São Paulo, em 1999, Mario Covas disse: "Não me venham falar em adversidade. Diante dela, só há três atitudes possíveis: enfrentar, combater e vencer"]. Era um líder. Ele fortaleceu muito a gente, a equipe dele.

Críticos do governo dizem que o senhor é de direita ou bolsonarista, diferentemente do Bruno Covas. Como o senhor responde a isso?

RN - Bolsonarista, eu nunca escutei. É lógico que não sou. Eu sou um defensor da democracia, a minha linha é muito próxima da linha do Bruno. Defesa da democracia de forma absoluta. Sou uma pessoa de centro. Não sou de extrema-direita nem de extrema-esquerda. Tanto é que quando o Bruno foi internado, o PT soltou uma nota desejando melhoras ao Bruno e sorte para mim. Tenho relação ótima com PT, Podemos, DEM, Republicanos. Esses dias têm mostrado isso: diálogo amplo com todos os setores. Quando a gente ganha uma eleição, a gente passa a governar para todos os setores da cidade, para todo mundo.

Teremos um foco muito forte, que era do Bruno e é meu, de cuidar das pessoas mais necessitadas. Muita atenção aos mais vulneráveis. Tanto é que o Bruno me colocou para cuidar do Cidade Solidária. Sou uma pessoa de centro, repudio o radicalismo de ambos os lados.


Por GUILHERME SETO/FOLHAPRESS

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