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17.2.21

Caros para a nova realidade, medalhões têm futuro incerto no Cruzeiro

Cruzeiro anuncia Brunoro para reforçar departamento de futebol

 

Astros do time ainda não têm permanência assegurada para a nova temporada

BELO HORIZONTE, MG (UOL/FOLHAPRESS) - A diretoria do Cruzeiro, ao que parece, "recolocou os pés no chão" e, mesmo com atraso de uma temporada, dá indícios de que enxergou a nova realidade do clube. Os dirigentes celeste têm feito movimentações no mercado da bola para a formar o elenco de 2021 com peças mais baratas e que se destacaram na Série B de 2020 por outras equipes.

Sem dinheiro e se mantendo com ajuda de parceiros, o que não é caso isolado no futebol brasileiro, o Cruzeiro tenta potencializar o planejamento para este ano a fim de minimizar qualquer possibilidade de erro. Dentro dessa perspectiva está uma análise importante e profunda sobre os medalhões, jogadores mais experientes e que custam mais aos cofres do clube.

Atletas como o zagueiro Léo, o volante Henrique e até mesmo o atacante Marcelo Moreno não têm permanência assegurada para a nova temporada. O caso do jogador boliviano é um dos mais urgentes.

Contratado em 2020, Moreno chegou sob fortes expectativas após abdicar de um contrato milionário na China, com o Wuhan Zall, clube da cidade onde a pandemia de Covid-19 teve início, justamente por causa do coronavírus. Em seu retorno ao Cruzeiro, o centroavante aceitou reduzir drasticamente seus ganhos, mas acordou um aumento substancial no segundo ano de contrato.

Segundo apurou a reportagem, a remuneração prevista para este ano é o dobro do vencimento recebido pelo atacante na temporada anterior, quase três vezes o valor que o clube havia estabelecido como teto salarial, de R$ 150 mil.

O responsável por arcar com o salário do atleta na temporada passada foi um investidor, e, para este ano, o próprio clube assumiria boa parte ou a integralidade dos pagamentos, por isso a urgência em rever a situação do atacante.

Dentro desse prisma da economia entram também o zagueiro Léo e o volante Henrique. Ambos estão tratando de lesão, mas não têm permanência assegurada, mesmo com toda a história dentro do clube.

Os dois estão entre os atletas que mais vezes vestiram a camisa do Cruzeiro, fizeram acordos anteriores por receberem acima do teto salarial estabelecido, e, a partir deste ano, teriam que iniciar o recebimento dos vencimentos que foram postergados ainda pelo Conselho Gestor, que geriu a equipe entre dezembro de 2019 e junho de 2020.

"Todos os atletas que têm contrato com o Cruzeiro serão analisados, junto com o André [Mazzuco, diretor de futebol], com o presidente e com a comissão permanente do clube. Buscaremos informações, como já estamos buscando, para a gente acertar o máximo possível a permanência de quem nos interessa e a dispensa de quem não nos interessa. É uma análise geral, não é de três ou quatro atletas, e vamos buscar sempre o melhor para o Cruzeiro", disse Felipe Conceição, técnico recém-contratado.

Sobre o tema, Mazzuco também comentou e citou diretamente os atletas mais experientes: "Vai ser feita a avaliação. Jogadores como Léo, Henrique e o próprio Fábio, que renovou agora, carecem de uma avaliação, de entender a realidade do Cruzeiro, o que pode ser importante para o clube e, a partir daí, a gente formatar uma ideia dentro da situação".

Outros jogadores experientes vivem situações diferentes. O zagueiro Manoel, que também tem valores consideráveis a receber e fez acordos para postergar acertos salariais, mostrou bom futebol na Série B de 2020, foi uma das lideranças e está nos planos. Entretanto, o contrato do jogador tem duração até o meio deste ano, o que demandaria uma nova -e difícil- negociação entre Cruzeiro e seu empresário.

O volante Ariel Cabral, que foi emprestado ao Goiás até o fim da Série A de 2020, é outro que tem alto salário e está com futuro incerto.

Para Felipe Conceição, já foram anunciados cinco reforços -Alan Ruschel, Matheus Barbosa, Matheus Neris, Felipe Augusto e Marcinho-, e o sexto elemento pode ser confirmado a qualquer momento. Trata-se de Bruno José, que pertence ao Internacional, mas fez boa campanha no ano passado pelo Brasil de Pelotas, também na Série B.

A negociação para a vinda de José à Toca II contou com promessas de pagamentos atrasados pelo Cruzeiro ao empresário Jorge Machado e de um acordo com cessão de direitos econômicos do meia Maurício ao Inter.

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